Publicado 10 de Julho de 2013 - 8h33

Por France Press

Manifestante a favor de Mursi lamenta sobre caixão de morto em confronto com o exército egípcio

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Manifestante a favor de Mursi lamenta sobre caixão de morto em confronto com o exército egípcio

A Anistia Internacional e um grupo de ONGs locais denunciaram nesta quarta-feira o uso desproporcional da força na gestão das manifestações islamitas pró-Mursi e exigiram uma investigação independente sobre os confrontos de segunda-feira no Cairo que deixaram mais de 50 mortos.

Na madrugada de segunda-feira, ao menos 51 pessoas morreram nestes episódios de violência diante da sede da Guarda Republicana no Cairo. No clima de extrema tensão que prevalece no país, a Irmandade Muçulmana, a qual Mursi pertence, declarou que os soldados e os policiais abriram fogo sem motivo contra os manifestantes e denunciaram um massacre. O exército disse ter respondido a um ataque de "terroristas armados".

"Embora alguns manifestantes possam ter se mostrado violentos, a resposta (do exército) foi desproporcional e é responsável por mortos e feridos entre a multidão", afirma a Anistia Internacional (AI) em um comunicado.

"Ainda que o exército afirme que os manifestantes atacaram primeiro e que nenhuma criança e nenhuma mulher tenham ficado feridos, os primeiros elementos apontam um cenário muito diferente", disse Hasiba Hadj Sahraui, um funcionário regional da ONG.

"Muitas vítimas foram atingidas (por balas) na cabeça e na parte superior do corpo", afirma a AI, que realizou investigações nos necrotérios e hospitais do Cairo e de Alexandria (norte).

Em um comunicado comum, 15 ONGs egípcias expressaram sua "forte condenação ao uso excessivo da força por parte do exército e das forças de segurança".

"A gestão das manifestações deve responder aos padrões internacionais, ainda que nestas concentrações ocorram episódios de violência e o recurso a armas de fogo", acrescentam.

Segundo a Anistia Internacional, os episódios de violência, que explodiram depois da destituição de Mursi pelo exército, em 3 de julho, provocaram pelo menos 88 mortes e deixaram 1.500 feridos.

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