Publicado 14 de Julho de 2013 - 5h00

21 lugares que disputam espaço na preferência e no coração do campineiro

Cedoc/RAC

21 lugares que disputam espaço na preferência e no coração do campineiro

 

Pelo terceiro ano consecutivo, os campineiros elegeram o Mercado Municipal de Campinas, ou Mercadão, o símbolo da cidade, com 51,6% dos 31.262 votos computados por meio do hotsite Eu Amo Campinas. Nas quatro posições seguintes figuram o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), com 19,4% dos votos; a Escola Preparatória de Cadetes (9,4%); a Catedral Metropolitana de Campinas (4%) e a Mata Santa Genebra (3,3%). Confira a lista dos dez cartões-postais da cidade, na opinião do público, nesta reportagem.

Realizado há três anos pela Associação das Empresas do Transporte Urbano de Campinas (Transurc) em parceria com a Metrópole, a enquete presta homenagem à cidade, que completa, hoje, 239 anos. No ano passado, cerca de 25 mil votos foram computados e, em 2011, quase 9 mil, o que denota o sucesso do projeto.

Na opinião do professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), Fábio Muzetti, mestre em urbanismo e especialista em patrimônio, a pesquisa revela o óbvio: espaços públicos cujo uso primordial foi mantido e que foram adaptados às necessidades contemporâneas são naturalmente valorizados pelo cidadão. “Ao contrário do que uma visão purista sugere, o uso, sim, preserva os patrimônios, e não o mero tombamento ou ‘museificação’. A apropriação dos espaços implica em 4 rotina de manutenção, em adaptações de segurança e acesso, por exemplo, algo menos oneroso que uma grande reforma”, considera. E se lembra de que as teorias da antropóloga Françoise Choay, em parte descritas na obra Alegoria do Patrimônio, reforçam tais argumentos. “Veja, o Instituto Agronômico ainda é o IAC e e as pessoas demonstram orgulho de ter esse instituto, que preserva tanta história, ativo na cidade. Do Mercadão, então, nem se fala. Ao longo dos 105 anos de atividades, a cidade reconhece nele a finalidade inicial e creio que, em enquetes futuras, ele deve continuar imbatível em preferência. Se houver investimentos em projetos de adequação e preservação, então, não haverá dúvida disso”, avalia.

O Instituto de Saúde Integrada (ISI), acolhido, desde 2006, no antigo prédio da Santa Casa de Misericórdia; a Lagoa do Taquaral; a Estação Cultura; a Unicamp e o Aeroporto de Viracopos ocupam, respectivamente, da sexta à décima posição no ranking deste ano. Já ícones como a Torre do Castelo, Bosque dos Jequitibás e Colégio Culto à Ciência foram alguns dos locais menos votados pelos internautas: receberam 142, 106 e 75 “cliques”, respectivamente.

“A colocação da Estação Cultura nesse ranking, por exemplo, releva algo interessante. O prédio, em si, perdeu sua função original que era de terminal de transporte de passageiros. A partir do momento em que se transformou em sede de uma secretaria, as pessoas deixaram de fazer daquele local um ponto de encontro. Os shows realizados lá ocorrem ainda de forma eventual e num local que não foi adaptado corretamente para essa nova finalidade”, observa Muzetti.

 

Como foi a votação

Entre os dias 30 de junho e 8 de julho, os internautas puderam registrar seus votos (e quantas vezes desejassem) por meio do hotsite do Eu Amo Campinas, hospedado nos sites da revista Metrópole (metropole.rac.com.br), do Correio Popular(correio.rac.br) e do Grupo RAC (www.rac.com.br). Além de escolher seus locais favoritos, também enviaram, por e-mail, fotos identificadas dos 21 monumentos/ patrimônios indicados nesta edição, que incluía o Teatro Castro Mendes, reinaugurado em dezembro do ano passado (18º colocado na votação deste ano). Para visualizar a galeria de imagens e outras reportagens sobre os pontos turísticos da cidade, acesse os banners do Eu Amo Campinas nos links destacados anteriormente.

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O vencedor

O Mercadão, como é conhecido, foi inaugurado em 12 de abril de 1908, pelo então prefeito Orosimbo Maia. Projetado pelo arquiteto Ramos de Azevedo em estilo mourisco, visava atender às necessidades de uma cidade em franco processo de urbanização e modernização, em meio à pujança do ciclo cafeeiro; e quando o antigo Mercado das Hortaliças (1886) já se encontrava em condições precárias de uso.

Ocorre que, no início do século, os 7,3 mil metros quadrados do local eram mais que suficientes para atender à demanda dos hortigranjeiros da cidade. Por isso, uma parte foi cedida à Estrada de Ferro Funilense, que instalou uma estação lateral ao prédio – a Estação Carlos Botelho, onde chegavam as marias-fumaças trazendo sacas de açúcar (mascavo), fardos de arroz e feijão e frangos da região, principalmente de Cosmópolis; e que seria transferida, em meados de 1925, para o bairro Bonfim.

Tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico e Turístico do Estado (Condephaat), em 1983, o prédio passou por dois grandes processos de restauro: um em 1996, quando as cores da fachada original e rococós foram recuperados (na década de 1970, a fachada era azul clara), as partes elétrica, hidráulica e telefônica substituídas. Outro em 2008, ano de seu centenário.

Em abril deste ano, por conta das comemorações dos 105 anos de atividades, o Mercadão passou por novas intervenções. À época, a atual administração municipal anunciou que pretende transformar o local num centro turístico potencial por meio de projeto que prevê a instalação de mezanino sobre as bancas centrais e praça de alimentação. Para a recuperação do prédio e do entorno, foi protocolado em Brasília, no Sistema de Convênio (Siconv) do governo federal, pedido de R$ 10 milhões para as obras.

Hoje há 143 boxes em funcionamento no local, ocupados por 103 permissionários que comercializam diversos produtos.

 

 

2º lugar: Instituto Agronômico de Campinas

Instalada na Avenida Barão de Itapura, a sede do IAC completou, neste ano, 126 anos. Em 2012, a fachada do prédio D. Pedro II, que data de 1887, foi restaurada. O projeto original, de Henrique Florence, em estilo art nouveau, foi ampliado em 1909, passando a ter um segundo andar. Administrado pelo Governo do Estado de São Paulo desde 1892, focado na garantia da oferta de alimentos à população e de matéria-prima à indústria, o instituto conta hoje com 189 pesquisadores científicos e 340 funcionários de apoio.

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3º lugar: Escola Preparatória de Cadetes do Exército

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construção do atual prédio da Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx), situado na área da centenária Fazenda Chapadão, começou em 1944. Em estilo colonial espanhol, o projeto é de autoria do engenheiro-arquiteto Hernani do Val Penteado. Em 1959, por meio de decreto, a escola, que ficava em São Paulo, era transferida para Campinas. Em 1967, foi renomeada de Escola Preparatória de Campinas para Escola Preparatória de Cadetes do Exército. Cerca de 520 jovens das mais variadas regiões do país ingressam na EsPCEx anualmente.

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4º lugar: Catedral Metropolitana de Campinas

A fachada da Matriz Nova, construída ao longo de 76 anos (1807-1883) em taipa de pilão, foi finalizada pelo arquiteto Ramos de Azevedo. Situada em frente à Praça José Bonifácio, no Centro, tem seu altar-mor, dedicado à Nossa Senhora da Conceição, padroeira da cidade. O prédio abriga também o Museu de Arte Sacra, cujo acervo é composto por 576 peças entre pinturas, esculturas, vestes e móveis dos séculos 18 a 20, além de uma biblioteca com obras raras.

 

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5º lugar: Mata Santa Genebra

A propriedade, hoje considerada Reserva Florestal, administrada pela Fundação José Pedro de Oliveira, foi doada ao município, pela família Oliveira, em 1981. Esse remanescente de Mata Atlântica, que fora parte da Fazenda Santa Genebra, do Barão Geraldo de Resende, concentra cerca de 660 espécies vegetais e 885 espécies animais, um viveiro com espécies nativas e um borboletário. Declarada ARIE - Área de Relevante Interesse Ecológico - pelo Governo Federal, em 1985, e tombada pelo CONDEPHAAT em 1983, a Mata de Santa Genebra é subordinada ao Instituto Chico Mendes para Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O acesso ao local é restrito a pesquisadores e a projetos de educação ambiental monitorada. É uma área de preservação permanente (APP)

 

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6º lugar: Instituto de Saúde Integrada (ISI)

 

A sede do instituto, situada na Avenida Benjamim Constant, no Centro, funciona na ala norte do prédio da Santa Casa de Misericórdia, numa área de 2,5 mil m². Instituída em 2006, a organização não governamental fundada pelo Sinsaúde (Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Saúde de Campinas e Região), tem por missão “promover ações humanizadas por meio da educação, cultura, ação social, ensino e pesquisa”. Desde então, o Centro de Formação Profissonal do ISI tornou-se referência na área da saúde. Em 2010, o prédio que “nasceu” para ser Santa Casa, abrigou o Asilo de Órfãs (1870 e 1960), formou o Hospital Irmãos Penteado (na década de 20) e serviu de sede à Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp (1963-1985) passou por um minucioso processo de restauro. O centenário prédio da Santa Casa e sua respectiva capela, a Nossa Senhora da Boa Morte, foram erguidos entre os anos de 1870 e 1876, patrimônios hoje tombados pelos Conselhos de Patrimônio Cultural do Município-Condepacc (conjunto da edificação) e do Estado de São Paulo (capela).

 

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7º lugar: Lagoa do Taquaral

Considerado um dos principais espaços de lazer do município, o Parque Taquaral data de 1972, quando 33 alqueires da histórica Fazenda Taquaral foram transformados em parque pela Prefeitura. Áreas verdes com rica fauna e flora, pistas de corrida, ginásio, quadras poliesportivas e diversos outros atrativos conquistam os visitantes. Nos últimos anos, porém, os frequentadores cobram soluções para conter a degradação do local. A icônica Lagoa Isaura Telles Alves de Lima (cujo nome homenageia a família Alves de Lima, antiga dona daquelas terras) padece em processo de assoreamento e a Caravela Anunciação (réplica da nau que trouxe Pedro Alvares Cabral às terras brasileiras), outrora cartão-postal da cidade, segue interditada, para restauro, há cinco anos. Em abril, o Auditório Beethoven (Concha Acústica) foi reaberto, depois de três meses de revitalização, com espetáculo da Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas e acolheu, no mês passado, apresentação memorável do maestro João Carlos Martins.

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8º lugar: Estação Cultura

Inaugurada em 11 de agosto de 1872 como Estação da Companhia Paulista, foi construída seguindo-se os padrões arquitetônicos ingleses do século 19 e serviu de principal terminal de passageiros e entreposto comercial, sobretudo no auge do ciclo do café. O desenvolvimento industrial da cidade, em parte, pode ser recontado no palmilhar de seus trilhos – em 1867 a ferrovia Companhia Paulista de Estradas de Ferro, que ligou Campinas a Jundiaí, completando o percurso Santos-Jundiaí, da Estrada de Ferro São Paulo Railway, dinamizou a economia paulista. Em 1971, a FEPASA passou a controlar a linha. O Complexo Ferroviário Central FEPASA foi tombado pelo Patrimônio Histórico (Condephaat) e, dois anos mais tarde, a Estação Central passou por uma grande reforma. Em 2003, o local passou a ser denominado Estação Cultura a sediar eventos culturais e parte da administração municipal. Desde setembro do ano passado, a Estação Cultura Prefeito Antonio da Costa Santos acolhe o Museu de Arte Moderna de Campinas. A expectativa da atual administração municipal é de que a Estação Cultura sirva de ponto de partida do TAV- Trem de Alta Velocidade, que ligará Campinas a São Paulo e Rio de Janeiro.

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9º lugar: Unicamp

Inaugurada em 1966, a universidade responde por 15% da pesquisa acadêmica no Brasil - é líder em número de patentes (superando instituições de renome como Petrobras e Universidade de São Paulo) e expressiva em volume de artigos per capita publicados em revistas científicas. Atualmente, 18 mil graduandos e 23 mil pós-graduandos circulam pela Cidade Universitária Zeferino Vaz (nome do fundador e idealizador da instituição de ensino), localizada no distrito de Barão Geraldo; local outrora ocupado por cafezais e canaviais. No ano passado, de acordo com o ranking Webometrics Ranking of World Universities, a Unicamp foi classificada como a 4ª melhor colocada na América Latina, a 3ª no Brasil e a 122ª melhor no mundo.

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10º lugar - Aeroporto Internacional de Viracopos

Construído na década de 1950 pelo governador Adhemar Pereira de Barros e inaugurado em 19 de outubro de 1960, no local da antiga Fazenda Palmeiras, Viracopos, como é carinhosamente chamado pelos campineiros, ocupa atualmente a sétima posição em fluxo de passageiros e segundo lugar em movimentação de carga no País. Desde o início deste ano e pelos próximos 30, o aeroporto é gerido pela concessionária Aeroportos Brasil Viracopos, que zela pela construção do novo terminal, a ser concluída até maio de 2014, um mês antes da Copa do Mundo de futebol. O novo aeroporto foi projetado para se tornar a primeira aerotrópolis do País, reunindo em um mesmo local rede hoteleira, edifícios corporativos, shopping center, terminal de passageiros (com capacidade para 14 milhões de pessoas, anualmente) e de cargas.