Publicado 14 de Julho de 2013 - 5h00

Seja bem-vindo: o espaço organizado por Fernanda Junqueira teve até direito a inauguração

Carlos Sousa Ramos/AAN

Seja bem-vindo: o espaço organizado por Fernanda Junqueira teve até direito a inauguração

Um dos grandes atrativos de viver em uma casa, ao invés de apartamento, é a possibilidade de ter e explorar ao máximo o quintal. No lugar de um espaço destinado apenas à realização de serviços domésticos, com varal para estender as roupas e cômodos para guardar badulaques, ele representa atualmente um dos espaços mais cobiçados da residência, onde famílias inteiras o usufruem como área de descanso, colocam em prática seus hobbies e revigoram as energias para encarar a correria da vida moderna.

 

De acordo com o arquiteto paisagista Marcelo Novaes, entre as décadas de 1960 e 1980 os quintais eram as áreas de serviço e do quarto de empregados, mas a partir da década de 1990 passou a ser um valorizado espaço de convivência. “Com o crescimento das cidades, vieram a insegurança e o distanciamento para a locomoção. Então, cada vez mais se vive em família e o que era quintal passou a ser área de lazer e a churrasqueira virou espaço gourmet”, ressalta.

 

Principalmente em dias de sol, ele torna-se quase que um clube, onde amigos e familiares batem papo, aproveitam a piscina, fazem churrasco ou provam as delícias preparadas pelo anfitrião — ou por quem é eleito para colocar em prática os seus dotes culinários. Sem contar na possibilidade de momentos intimistas que são aproveitados para cuidar das plantas, dos animais de estimação, para ler um livro e até para ficar em silêncio apenas ouvi os sons da natureza. “Sob o ponto de vista da arquitetura, no passado as salas eram voltadas para a frente da casa, com a mudança do significado do quintal, o living se voltou para a área de lazer da propriedade, que ganhou mais espaço e tornou-se o lugar principal de onde se vive”, afirma.

 

Independente do tamanho, o quintal também se firma como uma possibilidade de estar mais em contato com a natureza. De acordo com o Relatório Global de Espaços Verdes 2013, recém-divulgado pelo Grupo Husqvarna, 82% dos entrevistados em diferentes países acreditam que os espaços verdes sejam efetivos para espantar o estresse e a ansiedade do cotidiano. Tê-los em casa também é sinônimo de qualidade de vida.

 

Para conhecer as inúmeras possibilidades de explorar estes refúgios particulares, a Metrópole visitou alguns apaixonados por seus quintais, que mostraram como o exploram e aproveitam o tempo que podem passar nele.

Foto: Carlos Sousa Ramos/AAN

Carlos Sousa Ramos/AAN

Marcelo Novaes, arquiteto e paisagista: No passado as salas eram voltadas para a frente da casa, com a mudança do significado do quintal, o living se voltou para a área de lazer da propriedade

Um charmoso cantinho na porta da cozinha

O arquiteto paisagista Marcelo Novaes dá dicas do que deve ser considerado na hora de tornar esse espaço da casa um lugar especial

- A área de lazer é o espaço da casa mais utilizado pela família e pelos convidados. Portanto, tem que ser especial.

- Considere o que todos os moradores gostam de fazer em conjunto e individualmente e destine alguns cantinhos para essas atividades.

- Também considere um espaço para confraternizar e relaxar.

- Aposte em plantas e flores que os moradores apreciem.

- Jardins verticais são opções para quem tem pouco espaço, mas gosta de plantas.

- Dê ao local uma característica aconchegante e informal, para que os visitantes também se sintam em casa.

- Sempre que possível, consulte um profissional especializado.

Foto: Carlos Sousa Ramos/AAN

Carlos Sousa Ramos/AAN

Em pouco tempo, o mato do quintal de Fernanda Junqueira deu lugar a um pergolado, canteiros para plantas, mudas frutíferas, hortaliças e flores

 

Começou como brincadeira

A ideia de aproveitar a parte do fundo do terreno da casa da psicopedagoga Fernanda Junqueira e fazer ali um aconchegante quintal surgiu numa conversa informal com um amigo que vive em uma chácara. Começou meio como uma brincadeira, mas foi tomando corpo e de repente tornou-se o lugar preferido da propriedade.

Em pouco tempo, o mato deu lugar a uma pequena piscina, um pergolado, canteiros para abrigar plantas, mudas frutíferas, hortaliças, flores e até um espaço coberto onde funciona uma pequena cozinha. Uma decoração rústica de extremo bom gosto completam o ambiente. “Quis trazer para cá coisas que lembrassem a minha infância”, conta.

Hortênsia, que é sua flor preferida, não podia faltar, assim como uma máquina de moer café, que virou um belo objeto de decoração. Uma imagem de Santo Antônio que ela ganhou – ele é querido porque antes de se tornar padre, seu nome era Fernando – também tem um cantinho especial.

O reaproveitamento de materiais é outra característica do lugarejo. Com o restante da madeira usada na obra, Fernanda fez um armário; o carrinho de mão virou um canteiro de temperos; caixotes que vieram com plantas do Ceasa viraram prateleiras com mudas de hortelã e o vidro que estava sobrando na casa foi transformado no tampo da mesa que fica sob o pergolado. “Haviam dois vasos cujas plantas não se adaptaram à mudança de lugar. Então, plantei neles mudas de morango, que já estão dando frutos”, diz ela que consome todos os alimentos que ali são produzidos.

Todo o espaço tornou-se tão atrativo que teve até festa de inauguração. Comumente é palco de comemorações, como aniversários, festas juninas e Natal, e semanalmente um grupo de amigos se reúne ali para cozinhar e colocar a conversa em dia. “Às vezes também fazemos pães e aos finais de semana sempre tem gente aqui. Vez por outra os amigos trazem algo novo para plantar”, diz Fernanda.

A luz que ali reflete pela manhã, os pássaros que são atraídos por flores e alimentos, o bem-estar que vem da dedicação às plantas e o prazer de passar momentos agradáveis com amigos e familiares, já fazem com que a psicopedagoga passe mais tempo em seu quintal do que dentro de casa. Mas, mesmo em poucas horas ali já é possível entender o significado da placa que diz “Nosso quintal de luz”.

Foto: Carlos Sousa Ramos/AAN

Carlos Sousa Ramos/AAN

Fernanda Junqueira: Haviam dois vasos cujas plantas não se adaptaram à mudança de lugar. Então, plantei neles mudas de morango, que já estão dando frutos

O que tem

Árvores frutíferas: banana, lichia, acerola, romã, uva e morango

Verduras: chicória, alface, almeirão, couve e espinafre

Temperos: manjericão, salsão, hortelã, salsinha e cebolinha

Plantas: suculentas, cactos e folhagens

Flores: hortênsias, rosas, orquídeas e flor-de-maio

Elementos decorativos e móveis: madeira, madeira de demolição, vidro e artesanato

 

O melhor lugar do planeta

O contato com a natureza proporcionado pelo quintal é, para o empresário gráfico Valdomiro Gomes de Oliveira, o que mais favoreceu a boa recuperação das cirurgias pelas quais passou. “Aqui é meu paraíso”, declara. O pomar que ele plantou tem variedades comuns, como laranja, pêssego e manga, e outras mais difíceis de serem encontradas por aqui, como caju, seriguela e tamarindo. A beleza estende-se à horta, às flores e ao orquidário, em que o bambu é reaproveitado e faz as vezes de vasos. “Aqui tudo se transforma, nada é jogado fora”, avisa o proprietário, que faz questão de triturar o lixo orgânico e transformá-lo em adubo. “Desde criança tenho o dom de lidar com as plantas e isso me faz um bem enorme”, comenta.

Até um balanço ele fez usando pallets, corda e ferro. Sobre ele é colocado um colchonete com almofadas onde os moradores e também os amigos e familiares se acomodam para ler um livro, ouvir música ou relaxar. Para completar 4 o cenário, duas árvores que oferecem sombra e orquídeas que deixam o cantinho ainda mais especial. “Da última vez que contei, eram 480 pés de orquídeas. Agora já tem mais”, orgulha-se Oliveira, que não passa um dia sequer sem cuidar delas.

Dificilmente os moradores precisam ir até a feira ou ao supermercado, pois do quintal tiram, cotidianamente, a salada, o tempero para a comida e as frutas que viram sucos e doces. Sem contar o grande prazer que é saboreá-las direto no pé e sentir os aromas das ervas. Aos finais de semana, a disputa é para ver quem não precisará sair daquele charmoso território. “Ao acordar, nós abrimos a porta do quarto, vemos a natureza e logo vamos ao quintal. Adoro quando descubro uma flor nova por aqui”, conta Maria Lúcia Oliveira, que até algodão para fazer as unhas tira de seu quintal. Não sem antes, claro, admirar a beleza da flor do algodoeiro.

Para aumentar a sensação de bem-estar que o lugar promove, aos fundos da propriedade há uma represa onde Oliveira pratica pesca esportiva e alimenta os peixes. De vez em quando, leva uma churrasqueira para as margens para assar uma “carninha”. “Não gosto nem de viajar, pois no meu quintal tenho tudo o que eu preciso”, atesta.

 

Foto: Gustavo Tilio/Especial para AAN

Gustavo Tilio/Especial para AAN

Aos fundos da propriedade há uma represa onde Oliveira pratica pesca esportiva e alimenta os peixes

 

O que tem ali:

Árvores frutíferas: jabuticaba, pêssego, laranja, limão, uva, caju, caqui, tamarindo, banana, seriguela, lichia e goiaba

Verduras e legumes: couve, almeirão, alface, brócolis, pepino e tomate

Temperos: urucum, orégano, tomilho, hortelã e poejo

Plantas: samambaias, cactos e folhagens

Flores: orquídeas e rosas

Elementos decorativos e móveis: madeira, mármore, cerâmica, ferro, pneu e patchwork