Publicado 12 de Julho de 2013 - 5h00

Por Correio Popular

Não há como negar que o Brasil já vive intensamente o clima da sucessão presidencial do próximo ano, com lances nada discretos jogados no tabuleiro político. Desde as manifestações de rua ao confronto evidente entre a presidente Dilma Rousseff e o Congresso Nacional, passando pelo abalo que vem desvendando um discurso infame de normalidade, tudo o que se vê são sucessivos indicadores comprometedores da política econômica.

A presidente Dilma Rousseff é no momento o alvo predileto dos desafetos, até porque é a candidata natural à reeleição, seguindo tradição da cartilha eleitoral. Na reta final de seu mandato, vem demonstrando sua incapacidade de gerir o país em situação de crise, desfazendo sua imagem de gerente eficaz e mostrando o verdadeiro perfil de inabilidade para conduzir questões políticas. Surpreendida com a mobilização das ruas, não soube conduzir negociações, oferecer respostas, deixada que foi ao léu pelo seu mentor Luiz Inácio Lula da Silva e principais assessores. Todas as intervenções atabalhoadas voltaram negativamente ao seu gabinete, obrigando a uma retirada estratégica. Caíram por terra as pretensões de um plebiscito, da importação de médicos cubanos, de reforma política, de investimentos em serviços públicos, cravando em seu memorial a característica de total inépcia em situações críticas.

O saldo mais grave de suas intervenções foi a crise aberta contra o Congresso. Ao anunciar um já fracassado projeto de plebiscito para a reforma política, atropelou até mesmo os aliados e jogou no colo dos parlamentares a responsabilidade de mudanças. Em resposta, teve as portas fechadas, obrigando-se a retroceder e maquiar a intenção. Em gesto desesperado e destemperado, fez vir intempestivamente à baila o escândalo do uso de aviões da FAB pelos presidentes do Senado e da Câmara Federal, aprofundando o canal de separação entre os poderes.

Tudo faz parte de um grande jogo político. Ao ser vaiada pelos prefeitos que foram a Brasília nesta semana para reivindicar a sua cota de Participação dos Municípios, pavimentou uma via de fracasso, comprometendo o apoio para as eleições de 2014, ela que já amargou uma queda histórica na sua aprovação popular. Como nada em política acontece por acaso, é de se acompanhar os próximos lances para saber o que realmente está por trás desta mobilização intensa de bastidores e qual a posição de Lula diante dos desarranjos praticados por sua criatura.

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