Publicado 15 de Julho de 2013 - 5h00

Por Adriana Leite

Rua 13 de Maio, principal via de comércio no Centro: varejo começa a sentir os resultados da alta de juros que atinge diretamente o consumidor

Cedoc/RAC

Rua 13 de Maio, principal via de comércio no Centro: varejo começa a sentir os resultados da alta de juros que atinge diretamente o consumidor

A alta das taxas de juros afeta o movimento no comércio e os investimentos produtivos. As três últimas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central — em maio e na última quinta-feira — tiveram como resultado a elevação da Selic (taxa básica da economia nacional) de 7,5% para 8,5%. Os primeiros reflexos foram sentidos nas compras a prazo em Campinas. A taxa média do Crédito Direto ao Consumidor (CDC) chegou a 80,61% ao ano.

Pesquisa da Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic) mostrou que o mercado vem elevando os juros que incidem sobre as operações no varejo, após as subidas da Selic. As mudanças nos patamares parecem pequenas, mas se colocadas na ponta do lápis aumentam bastante o custo das compras no crediário. O rotativo do cartão passou de 150,42% ao ano em maio para 150,70% ao ano em junho deste ano.

O coordenador do Departamento de Economia da Acic, Laerte Martins, afirmou que a última elevação da Selic ainda será repassada para as operações de crédito na ponta. “O Crédito Direto ao Consumidor (CDC) deve ultrapassar os 5,2% ao ano. Os consumidores têm que observar as taxas que são cobradas no crédito. A inadimplência está elevada e pode piorar com a subida dos juros” , disse.

Ele comentou que a sinalização do Banco Central mostra que a Selic pode continuar subindo nas próximas reuniões do Copom no segundo semestre. “O mercado avalia que pode chegar a 9,5% ao ano. Uma taxa nesse patamar terá sérias implicações sobre o crédito. O Banco Central tenta conter a inflação com a alta dos juros, mas a demanda hoje não está elevada” , analisou.

O economista lembrou que o resultado do varejo em Campinas no primeiro semestre mostrou que o movimento no comércio desacelerou. “A alta dos juros tem um outro efeito ainda mais temeroso que é encarecer o financiamento produtivo. O setor industrial passa por um momento de retração e com fontes de recursos mais caras a situação vai ficar mais complicada”, afirmou. Martins salientou que o desconto de duplicata chegou a 38,48% ao ano em junho.

O coordenador disse ainda que a taxa média do cheque especial em Campinas foi de 149,59% ao ano no mês passado. “Os consumidores devem prestar muita atenção nos juros que incidem sobre as operações financeiras”, aconselhou. Ele ressaltou que há um outro lado positivo que é o aumento da remuneração da caderneta de poupança.

Cautela

Os consumidores mais prevenidos preferem comprar à vista para evitar endividamento. “Não compro a prazo. Antes de comprar um produto, me planejo e guardo dinheiro. O crediário no Brasil tem um custo muito elevado. O consumidor deve olhar atentamento antes de assumir uma dívida” , comentou o aposentado, José Bezerra da Silva. A operadora de telemarketing, Marilza Aparecida Alvarenga, disse que só divide as compras no cartão de crédito se for em poucas parcelas. “Procuro não pagar juros” , afirmou.

A autônoma, Maria Odete Figueiredo, contou que o descontrole nos gastos e o abuso do cartão de crédito arruinaram o orçamento da sua família. "Sempre observávamos os juros, mas o desejo de consumir nos fazia comprar no crediário sem pensar no custo da operação. Nos enrolamos muito com as compras a prazo e levamos mais de dois anos para conseguirmos acertar as contas” , disse.

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Adriana Leite