Publicado 10 de Julho de 2013 - 5h00

Por Inaê Miranda

Grupo pretende ficar acampado em frente ao fórum de Cosmópolis até que os jovens sejam libertados

Carlos Sousa Ramos/AAN

Grupo pretende ficar acampado em frente ao fórum de Cosmópolis até que os jovens sejam libertados

Um grupo de moradores de Cosmópolis decidiu acampar em frente ao fórum da cidade para protestar contra a prisão de três jovens que participaram de uma manifestação na Rodovia Zeferino Vaz (SP-332) na semana passada, exigindo a isenção da tarifa de pedágio para os moradores da cidades e a redução do valor para os demais motoristas.

O protesto terminou com a praça de pedágio incendiada e os três rapazes são apontados como principais suspeitos de participarem da ação de vandalismo. Um deles, identificado como Renan de Jesus, foi liberado na noite de segunda-feira (8). A vigília deve continuar até que os outros dois rapazes sejam soltos.

Bruno César Zainum e José Aparecido Pedro Camargo, que é o coveiro da cidade, tiveram o pedido de prisão preventiva prorrogado até sexta-feira pelo delegado responsável pelo caso. Para os moradores de Cosmópolis, eles estão presos injustamente. Por isso, decidiram acampar para pedir que eles respondam o processo em liberdade, até que haja provas concretas de que eles são responsáveis. Ontem à tarde, 15 pessoas, entre eles adolescentes, adultos e uma criança, estavam acampadas em frente ao fórum.

“Decidimos fazer vigília em respeito às famílias dessas três pessoas que foram presas de forma arbitrária. O que queremos é que eles tenham os seus direitos respeitados. Não houve flagrante e mesmo assim decidiram mantê-los presos sob a alegação de que ofereciam risco para a cidade”, afirmou a técnica em eventos Landa Vasconcelos.

De acordo com a polícia, a identificação dos três foi possível graças às imagens das câmeras de monitoramento da rodovia. Um deles trabalha na refinaria Replan, em Paulínia, e foi detido quando saía da empresa.

Os manifestantes montaram as barracas em frente ao fórum no domingo e pretendem permanecer acampados dia e noite até que haja um desfecho. Nas paredes, cartazes pedem a libertação dos presos. Para passar o tempo, enquanto protestam, eles se equiparam com violões, uma televisão com aparelho de DVD e uma churrasqueira.

“Grande parte dos moradores está nos apoiando. Estão trazendo pão, água. Até o churrasco foi doação da população de Cosmópolis, que concorda com o protesto e acha uma injustiça que os meninos continuem presos”, afirmou o auxiliar de logística Gustavo Rodoni.

A funcionária pública Lina Maria Franzin disse que não é a favor da depredação, mas protesta contra a prisão arbitrária dos rapazes. “A lei diz que a pessoa é inocente até que provem o contrário e até onde sabemos não existe prova contra eles. Tanto é injustiça que um deles foi solto”, disse. Durante as manifestações, 38 pessoas foram detidas, mas liberadas após assinarem Termo Circunstanciado de Ocorrência. Todos foram fotografados e 20 deles ouvidos. “Nunca vi isso. O Estado está querendo calar a população com a força. É desumano”, afirmou o advogado Wellington Giannini, que acompanhou o caso desde o início.

O protesto contra o valor do pedágio cobrado na Rodovia Zeferino Vaz (SP-332), que liga Cosmópolis a Paulínia, terminou em depredação das cabines. Elas foram incendiadas e completamente destruídas. Os vândalos também invadiram a cidade e levaram terror às ruas. O comércio foi fechado, os ônibus do transporte público — um deles foi queimado — deixaram de circular. A Prefeitura também teve vidros quebrados.

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Inaê Miranda