Publicado 15 de Julho de 2013 - 10h44

Por Inaê Miranda

O funkeiro Daniel Pellegrini, o MC Daleste, de 20 anos, morto no palco

Reprodução

O funkeiro Daniel Pellegrini, o MC Daleste, de 20 anos, morto no palco

O Instituto de Criminalística (IC) de Campinas vai fazer esta semana a reconstituição da morte do funkeiro Daniel Pellegrine, o MC Daleste. Os peritos vão produzir um croqui - desenho esquemático do fato - com base nas informações que a Polícia Civil obteve até o momento.

O funkeiro foi assassinado na madrugada do dia 7 de julho após ser baleado enquanto realizava uma apresentação na Vila San Martin. Segundo o laudo do Instituto Médico Legal (IML), divulgado nesta segunda-feira (15), Daleste foi atingido por dois tiros. O último atravessou três órgãos, levando à morte do rapaz por anemia aguda.

De acordo com o delegado Rui Pegolo, o laudo do IML confirmou que um dos tiros atingiu o funkeiro de raspão na axila direita, provocando queimaduras, e o segundo atingiu a barriga, no lado esquerdo, saindo pelo direito. Esse tiro perfurou três órgãos: o estômago, o fígado e pulmão direito. "Ele transfixou o corpo e foi fatal", afirmou. De acordo como os resultados do IML, Daleste morreu por causa de uma anemia profunda provocada por hemorragia.

Reconstituição 

Nesta quinta-feira (18), às 9h, o Instituto de Criminalística voltará ao local do crime para fazer um croqui. Segundo Nelson Roberto Patrocínio da Silva, diretor do IC e perito criminal, não se trata de uma reconstituição com base no que disseram as testemunhas.

"Vamos montar a dinâmica do fato através dos dados técnicos que temos: a trajetória de tiros, perfurações, distâncias, imagens. Não vamos ouvir testemunhas, até porque as testemunhas que temos são as que o viram cair no palco. A partir daí, vamos montar um croqui, que é um desenho esquemático do fato", explicou.

Segundo Silva, os dados do laudo do IML serão usados para fazer a trajetória da bala. O resultado deste como do primeiro laudo feito pelo IC devem ser entregues juntos, de acordo com o perito.

Nesta segunda-feira (15), o delegado Rui Pegolo retomaria a oitiva de testemunhas, mas as duas que deveriam comparecer à delegacia não se apresentaram até o final da tarde. A Polícia Civil continua analisando os vídeos e as denúncias feitas. "São mais de 100 denúncias. Muitas repetidas, algumas infundadas", afirmou. O delegado ressalta que nenhuma linha de investigação foi descartada até o momento.

O caso:

O funkeiro MC Daleste foi atingido na noite do dia 6 de junho por dois tiros enquanto fazia um show em uma quermesse do bairro CDHU San Martin para cerca de 6 mil pessoas. Ele foi levado com vida para o Hospital Municipal de Paulínia, mas não resistiu e morreu na madrugada de domingo (7). A Polícia Civil de Campinas montou uma força-tarefa com três delegados, além de policiais e investigadores, para investigar o caso.

Clipe póstumo:

No último domingo, foi divulgado um clipe do MC Daleste para a música São Paulo, feito pela 3K produtora e assinado pelo produtor Renato Barreiros. O vídeo foi gravado pouco antes da morte do cantor e segue a linha do funk ostentação. Nele, o cantor aparece cercado de mulheres, bebidas e muitos bens, entre eles um helicóptero.

Escrito por:

Inaê Miranda