Publicado 14 de Julho de 2013 - 16h38

Por Vilma Gasques

Familiares de vítimas de assassinos durante adesivagem em avenida: petição para alterar a Constituição

Dominique Torquato/AAN

Familiares de vítimas de assassinos durante adesivagem em avenida: petição para alterar a Constituição

A campanha para redução da maioridade penal para 16 anos ganhou um novo capítulo neste sábado (13) em Campinas. A família de Victor Hugo Deppman, assassinado há três meses em frente a sua casa, em São Paulo, por um menor de idade que queria roubar seu celular, se juntou na dor da família de Mário dos Santos Sampaio, morto em uma churrascaria do Guarujá por uma desavença na cobrança da conta no valor de R$ 7,00. Juntas, as famílias fizeram uma campanha para colar adesivos em veículos na Avenida Norte-Sul.

De acordo com a mãe de Victor Hugo, Marisa Rita Riello Deppman, a campanha está sendo realizada em várias cidades do Estado de São Paulo e tenta conscientizar as pessoas para apoiarem as mudanças na lei penal do Brasil. “Há uma petição para alterar a Constituição em relação à maioridade penal, diminuindo-a para 16 anos. O que queremos é que os menores infratores, de qualquer idade, respondam pelo crime cometido pelo Código Penal e não sejam protegidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente”, ressalta Marisa.

No caso do assassinato de Victor Hugo, o menor atirou sem motivo depois de receber o celular que queria roubar. O estudante morreu no local e sua mãe diz que o menor que tirou a vida de seu filho, após cumprir pena máxima de prisão, que é de três anos, na Fundação Casa, sairá como réu primário. “O que queremos é mudar isso o mais rápido possível para tirar esses menores infratores das ruas. E lembrar que a próxima vítima pode ser qualquer um”, diz.

Marisa afirma que a proposta da lei que ela gostaria de ver aprovada também contempla uma indenização à vítima, caso sobreviva, ou à sua família, paga pelo Estado. Além disso, os menores que cometerem crimes considerados hediondos, devem cumprir a pena em local separado de outros menores com chances de recuperação. “Os legisladores precisam ouvir o nosso grito, pois a violência está cada dia maior”, diz.

A mãe de Mário dos Santos Sampaio, Maria Helena Sampaio, assassinado em uma churrascaria no Litoral de São Paulo no dia 31 de janeiro do ano passado, diz que se uniu à luta da família de Victor Hugo porque conhece a dor que é a perda de um filho. O estudante foi morto depois de uma divergência no valor da conta cobrada no restaurante. José Adão Pereira Passos, dono do estabelecimento, e o filho dele, Diego Souza Passos, que respondem por homicídio qualificado, estão detidos na cadeia do 1º Distrito Policial do Guarujá.

“Temos que pensar que a morte de nossos filhos não foi em vão. Nossa campanha é para que o Código Penal seja mais rígido. Não é possível que alguém que comete um crime hediondo tenha privilégios e ganhe indulto, por exemplo, para ir para as ruas cometer outros crimes”, revolta-se.

Ela diz que a primeira audiência do assassinato de seu filho será realizada na próxima terça-feira, na cidade litorânea. “Os assassinos, se condenados, terão uma pena que varia de 12 a 30 anos, mas ficarão na cadeia por três ou quatro anos. E a minha dor será perpétua. É isso que precisa mudar”, destaca.

Fãs prestam homenagem a MC Daleste 

Pelo menos 200 pessoas se reuniram na tarde de ontem no Centro de Campinas para homenagear o funkeiro Daniel Pellegrine, o MC Daleste, assassinado há uma semana durante apresentação na quermesse do bairro San Martin, em Campinas. Os fãs se concentraram no Largo do Rosário e Largo das Andorinhas e seguiram em passeata para o Centro de Convivência, no Cambuí.

“É uma passeata pela paz, como as músicas dele, que pediam justamente a paz”, diz Thalia Carolaine Sardi.

“É uma passeata em homenagem ao nosso príncipe e contra a covardia que fizeram com ele”, diz Talita Caroline Garcia. “Porque ele só vai deixar de existir quando o coração do último fã morrer”, sentencia. O estudante Matheus Henrique Agostinho dos Santos, um dos fãs mais entusiasmados, diz que é preciso justiça no caso de Daleste. “Vários funkeiros já foram assassinados e é preciso dar um basta nisso”, ressalta. Camila Conceição Lima Costa participou da homenagem porque acha que as autoridades precisam agir. “Não é porque é um MC que precisa morrer”, diz.

MC Daleste, de 20 anos, levou um tiro no abdômen enquanto fazia sua apresentação. Ao menos dois disparos foram dados em direção ao músico. A polícia já recebeu cerca de cem denúncias por meio de vídeos feitos durante o show. As imagens estão sendo analisadas por peritos do Instituto de Criminalística (IC). Outra homenagem deve ser realizada na Lagoa do Taquaral, hoje, às 14h30.

 

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Vilma Gasques