Publicado 13 de Julho de 2013 - 9h47

Por Maria Teresa Costa

Prédio da Prefeitura de Campinas: novo sistema a ser instalado vai economizar 80% do gasto com energia

Janaina Maciel/Especial para a AAN

Prédio da Prefeitura de Campinas: novo sistema a ser instalado vai economizar 80% do gasto com energia

O prefeito de Campinas, Jonas Donizette (PSB), planeja investir R$ 4,7 milhões para transformar o Paço Municipal em uma usina produtora de energia solar para abastecer os 19 andares da Prefeitura e disponibilizar o excedente na rede pública.

Estudo feito pela Secretaria do Verde e Desenvolvimento Sustentável mostrou que o investimento necessário se pagará em seis anos, com a economia na conta de luz, que poderá chegar a 80% do gasto atual. Segundo o estudo, do total de recursos necessários, R$ 2,7 milhões virão de verbas públicas e o restante de parcerias, por meio de chamamento público.

O prefeito deve anunciar o projeto ainda este mês, após detalhar, com o secretário Rogério Menezes, as formas de financiamento do programa. Segundo ele, a conta de luz do Paço Municipal é de R$ 550 mil anuais e estudos apontaram que poderá ser conseguida uma economia de R$ 350 mil na primeira etapa e mais R$ 100 mil na segunda fase, quando o sistema seria instalado no terceiro e último andares.

Para a produção de energia solar, será necessária a instalação de painéis solares fotovoltaicos no teto do Paço ou em torno da fachada, incorporados à arquitetura do prédio. As células solares convertem diretamente a energia do sol em energia elétrica de forma estática, silenciosa, não poluente e renovável.

“Nossa intenção é que o projeto se pague, gerando energia para a Prefeitura e com uma produção excedente para ser colocada na rede de energia da cidade”, disse. A proposta se enquadra em dois programas em que Campinas está inserida: o Cidades Sustentáveis e o Cidades Inteligentes. Ambos visam a redução das emissões de gases de efeito estufa, o uso de energias alternativas e eficiência energética e trabalham com a formação de uma cidade do conhecimento.

A geração de energia por placas fotovoltaicas ainda é pequena no Brasil, por causa do custo. Na Europa, no entanto, essa energia é muito utilizada, principalmente em função dos acordos ambientais feitos para reduzir as emissões de gases de efeito estufa: até 2020, reduzir em 20% as emissões, aumentar a participação de fontes renováveis em 20% e reduzir o consumo em 20%.

A energia solar fotovoltaica é a forma de produção de eletricidade que mais cresce no mundo atualmente. Segundo estudos do Instituto de Energia da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, desde 2003 o índice de expansão dessa indústria ultrapassa 50% ao ano. O Internacional Copper Association (ICA, sigla em inglês) e empresas do setor de energia solar estão desenvolvendo campanhas para aumentar o uso desse tipo de energia na América Latina. Segundo dados da Associação Europeia da Indústria Fotovoltaica (Epia), a energia solar fotovoltaica no mundo passou de 16,6GW instalados em 2010 para 27,7GW em 2011, um aumento de 70%.

Cerca de 70% desta energia é gerada na Europa, onde a insolação é bem menor se comparada à do Brasil. Para se ter uma ideia, a menor irradiação solar no Brasil ocorre em Santa Catarina e é cerca de 30% acima da média de irradiação da Alemanha.

Segundo a Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava), cada metro de coletor solar utilizado durante um ano equivale a 56 metros quadrados de áreas inundadas por hidrelétricas.

O Brasil possui edifícios solares, como por exemplo, o prédio administrativo do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (IEE/USP) que ganhou painéis fotovoltaicos, com potência nominal de 12 quilowatts, instalados em 120 metros quadrados de sua fachada.

O sistema produz, em média, 50% das necessidades de energia elétrica da edificação, cuja demanda nos dias de semana é de 100 quilowatts por hora. Aos sábados e domingos, o excedente é injetado na rede elétrica. Integrados na fachada como elementos construtivos, os módulos fotovoltaicos produzem energia, reduzem a carga térmica do prédio e também funcionam como brises.

Escrito por:

Maria Teresa Costa