Publicado 12 de Julho de 2013 - 9h28

Por Adriana Leite

O comerciante Roberto Mekaru lembra que a oferta reflete no custo

Elcio Alves/AAN

O comerciante Roberto Mekaru lembra que a oferta reflete no custo

O fechamento de estradas por manifestantes, as baixas temperaturas e as chuvas provocaram um aumento de preços de vários produtos agrícolas. Nas últimas semanas, disparou o custo de legumes no atacado e, como consequência, nas gôndolas dos varejões e feiras. Na Centrais de Abastecimento de Campinas (Ceasa), o chuchu subiu 66,7%, a abobrinha brasileira teve alta de 33,3% e a vagem-macarrão apresentou elevação de 40,1%.

Na ponta, o consumidor sente no bolso a pressão do clima e dos protestos sobre a agricultura. O quilo da vagem chega a custar R$ 8,00 e da abobrinha supera os R$ 5,00. A estratégia é pesquisar muito e substituir os produtos mais caros por outros mais em conta. Os varejistas também reduzem as compras no atacado quando há pico de preços. A precaução tem como objetivo evitar prejuízo.

A comerciante Célia Toma afirmou que houve um acréscimo de preços em itens muito consumidos como vagem, abobrinha e chuchu. “O consumo cai quando o produto tem uma forte alta de preços. Um exemplo foi o tomate no início deste ano. Nós também reduzimos as compras do produto porque não conseguiríamos vendê-lo”, disse. Ela comentou que o valor do fruto está estabilizado. Na Ceasa, houve uma subida de 20% na última semana.

O comerciante Roberto Mekaru disse que a redução da oferta em decorrência da queda da temperatura e também da dificuldade dos produtores de outros estados de enviar as mercadorias para São Paulo refletiram no custo no atacado. “As manifestações fecharam estradas e houve uma queda na oferta. O frio também afetou a produção de legumes”, comentou Mekaru. O custo para o consumidor, segundo ele, é formulado conforme a lei da oferta e da procura.

O assessor técnico do Departamento do Mercado de Hortifrutigranjeiros da Ceasa, Francisco Homero Marcondes, afirmou que a chuva e a queda da temperatura provocaram o recuo da produção de alguns legumes. “Se o clima continuar firme como nesta semana, a tendência é de estabilidade dos preços. Se as temperaturas baixarem demais, pode ter queda de produção de legumes e, mais uma vez, os valores podem subir no atacado e no varejo”, disse.

Pesquisa

A empresária Rosa Coelho disse que pesquisa antes de comprar, mas não tem o hábito de substituir alimentos mais caros por outros com preços menores. “Não mudamos o cardápio. Nossos clientes estão acostumados com os pratos que oferecemos na casa noturna”, afirmou. Ela disse que os alimentos tiveram alta de preços de forma generalizada neste ano.

O aposentado Roberto Simmel comentou que não leva nada para casa antes de pesquisar muito bem o preço. “Praticamente todos os alimentos apresentaram uma elevação de preços. Comer está bem mais caro. Eu pesquiso o valor de todos os produtos antes de comprar. Nunca compro na primeira banca ou loja que eu entro”, afirmou.

Feijão

O casamento arroz e feijão é o preferido na mesa do brasileiro. Mas o preço do feijão deixou a relação bem salgada. Comerciantes calcularam que em um ano a alta ultrapassou 60%. “Os preços estão mais estáveis nos últimos meses. Contudo, desde agosto do ano passado a elevação ficou acima de 60%. Dependendo do tipo do feijão, a subida foi ainda maior. O feijão fava, por exemplo, passou de R$ 6,00 o quilo para R$ 24,00. O custo para o consumidor quadruplicou. O carioquinha, o mais procurado pelo consumidor, custa hoje R$ 7,00 o quilo”, disse o auxiliar de loja Rodrigo Abílio Cândido.

Ele contou que, mesmo com muita reclamação, os consumidores não deixam de levar o produto para casa. “Nos meses mais frios, sobe muito o consumo do feijão preto que é usado no preparo da feijoada. O valor desse produto não apresentou alteração”, comentou o vendedor. Cândido afirmou que os fornecedores da loja instalada no Mercado Municipal de Campinas afirmam que a alta dos preços é justificada pela elevada carga tributária.

Escrito por:

Adriana Leite