Publicado 11 de Julho de 2013 - 22h56

Por Inaê Miranda

Pai do MC Daleste, Roland Pellegrine, disse que cantores precisam de coletes à prova de balas para se apresentarem em lugares

Gustavo Tilio/Especial para a AAN

Pai do MC Daleste, Roland Pellegrine, disse que cantores precisam de coletes à prova de balas para se apresentarem em lugares "sem lei"

Familiares, amigos e produtores do show do funkeiro Daniel Pellegrine, o MC Daleste, baleado na noite de sábado (6) durante uma apresentação no bairro San Martin, prestaram depoimento nesta quinta-feira (11) na Delegacia de Homicídios de Campinas.

Dos 14 que compareceram, nove foram ouvidos. Eles afirmaram que o funkeiro não vinha recebendo ameaças e negaram que o cantor tenha se envolvido com uma fã em Campinas.

Abalado, o pai de Daleste, Roland Pellegrine, cobrou a participação da polícia da Capital no caso e disse que os cantores precisam de coletes à prova de balas.

Os amigos e produtores do artista reclamaram da falta de estrutura do evento. “Na hora que ele foi baleado não tinha uma ambulância, não tinha nada”, disse André Luís dos Santos, DJ de Daleste.

Ele relatou que o cantor foi socorrido pelo irmão e por produtores do músico, que eram de São Paulo e não conheciam Campinas. Segundo Santos, eles tiveram que pedir socorro em um posto para chegar ao hospital.

“Se tivesse ambulância do jeito que tinha que ser, ele estaria vivo”. Conforme Santos, enquanto seguia para o hospital, o músico estava consciente e chegou a brincar. “Ele falou, ‘tira uma foto de mim que depois quero ver quando eu ficar bem’. Ele era um cara que brincava e fazia piada com tudo”, disse.

Eles negaram a possibilidade do crime ter sido passional, umas das principais linhas de investigação da polícia. “Ele era bem casado, de família bem estruturada, isso não existe. Isso é fora do normal o que estão falando”, disse Alexandre Dias Gomes, amigo e um dos produtores do artista.

Segundo familiares, Daleste era casado havia cinco anos. A mulher dele esteve na delegacia, mas não falou com a imprensa. Entre os nove amigos e familiares ouvidos, estavam o pai de Daleste, Roland.

Ele pediu que o Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (Deic) e o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da Capital, atuassem nas investigações.

“Quero que o policiamento de São Paulo colabore com esse problema que estou tendo em Campinas e ajudem a esclarecer a morte do meu filho querido”, disse. O pai do músico também pediu que os cantores usassem colete a prova de bala.

“É preciso ter colete para a gente, para cantores que cantam à noite, em lugar público, lugar sem lei. Tá precisando. Já morreram um, dois, três, cinco”, afirmou. Além das pessoas que vieram de São Paulo, o delegado Rui Pegolo, responsável pelo caso, ouviu também uma testemunha que não teve a identidade revelada e Rogério Rodrigues de Oliveira, o contratante do show de Daleste, em Campinas.

Segundo Oliveira, ele já havia realizado 16 shows com o músico na região, sendo oito em locais fechados. Ele negou que o músico houvesse pedido segurança e discussão. Também afirmou que o evento tinha alvará, o que a Prefeitura de Campinas nega.

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Inaê Miranda