Publicado 11 de Julho de 2013 - 8h41

Por Adriana Leite

Movimento de consumidores no comércio de Campinas: expectativa

Cedoc/RAC

Movimento de consumidores no comércio de Campinas: expectativa

O segundo semestre sempre alavanca o comércio. Mas em 2013 os lojistas estão olhando com desconfiança para os últimos seis meses do ano. Os números nada otimistas de janeiro a junho são os responsáveis pelo cenário desanimador. Balanço divulgado ontem pela Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic) mostra que o faturamento na região foi de R$ 11,22 bilhões no acumulado.

O crescimento foi de 3,22% frente ao ano passado. Se deflacionado pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no período, que ficou em 3,15%, não houve avanço em relação ao primeiro semestre do ano passado. A situação econômica desfavorável, a inadimplência em alta e as manifestações nas ruas repercutiram negativamente sobre o comércio regional neste ano.

O estudo da Acic apontou que houve uma redução de R$ 82,2 milhões no faturamento do comércio varejista em junho em comparação ao ano anterior. O coordenador do Departamento de Economia da entidade, Laerte Martins, afirmou que os protestos de rua impactaram o movimento nas lojas. “Os estabelecimentos tiveram que fechar mais cedo durante vários dias. As cenas de vandalismo também afungentaram o público”, disse.

Ele comentou que a queda nas vendas no mês passado foi de 7,88% em relação a junho do ano passado. “O resultado foi o menor no acumulado do ano e refletiu o mau desempenho da economia. As manifestações pioraram a situação”, ressaltou. O economista disse que as consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) caíram de 847,9 mil em junho de 2012 para 781,1 mil no mês passado.

“O mês de junho teve um peso decisivo no desempenho do comércio no primeiro semestre. O faturamento do varejo na região teve um declínio de R$ 2 bilhões no ano passado para R$ 1,95 bilhão este ano. O recuo foi de 4% em um mês”, apontou. O economista afirmou que a situação em Campinas foi semelhante, com perda de R$ 36 milhões em junho. “No acumulado do ano, o faturamento cresceu apenas 3,08%, passando de R$ 4,60 bilhões para R$ 4,75 bilhõe”, disse.

Inadimplência

O descontrole dos gastos provocou uma disparada da inadimplência no primeiro semestre deste ano. O balanço da Acic mostrou que o calote gerou um prejuízo de R$ 201 milhões. “O saldo de carnês sem pagamento há mais de 30 dias subiu de 191.646 dívidas não quitadas para 233.625 carnês no acumulado de janeiro a junho deste ano”, apontou o economista. A variação, conforme os cálculos de Martins, foi de 21,90%.

Em Campinas, o quadro se repetiu. “A quantidade de carnês não pagos aumentou 25,10% no semestre. Os primeiros seis meses do ano fecharam com 80.300 débitos sem pagamento e o volume subiu para 100.459 carnês neste ano. A inadimplência disparou e teve efeito sobre o desempenho do comércio varejista local”, avaliou o coordenador. As perdas em Campinas ficaram em R$ 85,9 milhões.

O economista afirmou que o segundo semestre sempre é melhor do que o primeiro porque várias datas especiais acontecem no período. “No segundo semestre, há datas como Dia das Crianças e Natal. Com a inadimplência em alta, a tendência é que os consumidores utilizem o dinheiro para quitar as dívidas e recuperar o crédito para comprar no Natal”, comentou.

Martins salientou ainda que os indicadores macroeconômicos serão fundamentais para injetar ânimo no comércio. “O segundo semestre terá números melhores do que o primeiro. Entretanto, o desempenho ficará distante do desejado pelo varejo. A recuperação não deve ser vigorosa. O fraco crescimento da economia, a inadimplência elevada e a inflação alta terão reflexo no comércio em 2013”, comentou.

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Adriana Leite