Publicado 11 de Julho de 2013 - 8h23

Espera na unidade de saúde do Matão, em Sumaré: pacientes aprovam contratação de estrangeiros

Elcio Alves/AAN

Espera na unidade de saúde do Matão, em Sumaré: pacientes aprovam contratação de estrangeiros

Sete das 11 cidades da Região Metropolitana de Campinas (RMC) na lista de municípios considerados prioritários pelo governo federal para receber médicos, brasileiros ou estrangeiros, para trabalhar nas unidades básicas e no pronto atendimento do Sistema Único de Saúde, têm interesse em abrigar os profissionais. Cosmópolis, Hortolândia, Indaiatuba, Nova Odessa, Pedreira, Santa Bárbara d’Oeste e Sumaré já se inscreveram ou vão se inscrever no programa, batizado de Mais Médicos.

Três cidades, Paulínia, Valinhos e Jaguariúna analisam a possibilidade de ingressar no projeto. Vinhedo foi o único município considerado prioritário pelo Ministério da Saúde que não deve receber os profissionais. A proposta, que ainda precisa passar pelo Congresso na forma de medida provisória, é para que os médicos ocupem vagas onde o poder público tem dificuldade em contratar por concurso. Um dos pontos mais polêmicos do texto é a parte que libera os profissionais estrangeiros do programa de prestar o Revalida, prova obrigatória para que médicos de fora possam exercer a medicina no Brasil. Especialistas ouvidos pelo Correio afirmaram que o teste é necessário para verificar o nível dos profissionais.

Hortolândia está inscrita desde o ano passado no programa, segundo o secretário de Saúde, Lourenço Daniel Zanardi. Ele afirmou que a cidade tem unidades básicas, hospitais e equipamentos de sobra para atender a população. O principal gargalo da é a escassez de mão de obra. “Nos últimos quatro anos, a secretaria fez quatro concursos e não conseguiu sanar o déficit. Médicos e verbas para cobrir os custos dos profissionais e tudo o que precisamos”, disse o secretário.

O secretário de Saúde de Cosmópolis, Élcio Trentin, disse que faltam pediatras, ginecologistas e socorristas no município. “Vamos participar do programa porque nem Paulínia hoje consegue absorver a demanda por médicos de Cosmópolis. Temos uma grande população sazonal, que trabalha nas obras de ampliação da Replan, e congestiona ainda mais a rede”, explicou. A Prefeitura de Vinhedo, no entanto, informou que não tem interesse no projeto. Ainda segundo a Administração, a cidade não tem déficit de médicos e o investimento seria melhor aproveitado pelo governo se ele pudesse utilizar o recurso para a contratação de médicos na criação de mais centros de especialidades, por exemplo.

População

O Correio esteve na tarde da quinta-feira (10) na Unidade Básica de Saúde do Matão, em Sumaré. Todos os sete pacientes entrevistados pela reportagem disseram que não se importam em serem atendidos por médicos estrangeiros. “Não importa de onde vem os médicos. Contanto que eles saibam o que eu estou falando. O que não pode e a gente esperar uma, duas horas para conseguir passar nosso filho no pediatra”, disse a doméstica Rosa Helena Pereira Bueno, que aguardava com o filho Lucas, de 1 ano, por uma consulta. A merendeira Solange Marques Pereira, de 42 anos, acredita que a vinda de profissionais de fora pode ajudar a resolver a falta de médicos. “Este posto tem somente dois pediatras. É pouco para atender todo o Matão. Precisamos de médicos, não importa de onde venham”, afirmou.