Publicado 05 de Abril de 2013 - 22h48

Por Paulo Santana

Gilson Kleina somou 48 vitórias em 115 partidas dirigindo a Ponte Preta

Lola Oliveira/AE

Gilson Kleina somou 48 vitórias em 115 partidas dirigindo a Ponte Preta

No domingo (07/04), às 16h, o técnico Gilson Kleina voltará a pisar o gramado que transformou sua vida profissional. Trabalhando como adversário pela primeira vez em Campinas desde sua passagem vitoriosa de quase dois anos pelo Majestoso, o treinador do Palmeiras admite que sentirá uma emoção diferente ao entrar em campo para enfrentar a Macaca na partida válida pela antepenúltima rodada do Campeonato Paulista. "Por tudo o que fizemos juntos, a Ponte Preta sempre terá lugar especial em minha vida. Foi onde me projetei e sou grato por tudo. Fui muito feliz e sinto saudades dos amigos que ficaram aí", disse, por telefone.

O treinador deixou a Macaca em setembro do ano passado, depois de ter recusado diversas propostas tentadoras. A maior delas foi do Fluminense, em março de 2012 — receberia um salário cinco vezes maior para um contrato de apenas três meses. "Nunca pedi aumento e nunca pedi contrato novo para a diretoria da Ponte. Teve um momento, em agosto, que fui chamado para renovar e o acordo acabou não acontecendo. Depois, veio a proposta do Palmeiras. Não sei como passaram a minha saída para o torcedor, mas posso dizer que nunca houve traição", garante.

A inesperada mudança na reta final do Brasileirão, quando a Ponte ainda corria risco de rebaixamento, deixou parte da torcida com o sentimento de abandono. Tanto que um movimento prometendo hostilizar o treinador na partida de domingo ganhou corpo nas redes sociais nas últimas semanas. "Sempre falo para todo torcedor — seja da Ponte, do Palmeiras ou de qualquer outro time — que violência é errado. Se tiver o protesto, vou respeitar. Mas todos sabem que sempre tive ética e postura correta dentro da Ponte Preta. Abdiquei de muitos convites em prol da Ponte", lembra.

No Majestoso, Gilson Kleina comandou a Macaca em 115 partidas e saiu com o melhor aproveitamento dos últimos 15 anos. Com 48 vitórias, 32 empates e 35 derrotas, terminou com 52,2% de aproveitamento. Sob sua direção, a Ponte conquistou o acesso para o Brasileirão, chegou nas semifinais do Paulistão e terminou a Copa do Brasil entre os melhores. Hoje, ele vê o desempenho da Ponte com satisfação. "Fico feliz pelo momento que a Ponte está passando. Tenho certeza que o jogo de domingo será muito bom e que vença o melhor" , completou.

A Macaca defende a vice-liderança do Paulistão e o Verdão, que virá a Campinas com seu time reserva, ocupa a sétima colocação.

TEMOR

Preocupada com possíveis atos de hostilidade contra o treinador Gilson Kleina, a diretoria da Ponte Preta vem repetindo pedidos para que o torcedor não ultrapasse limites e acabe prejudicando o time com perda de mando de campo na reta final do Campeonato Paulista. Em nota no site oficial, a Macaca pede para que ninguém atire objetos, não invada o campo, bem como não utilize sinalizadores ou qualquer tipo de objeto que possa atrapalhar o andamento da partida.

Em troca, o presidente Márcio Della Volpe prometeu lutar para colocar os jogos decisivos em Campinas. "Fazemos um apelo para que o torcedor nos ajude a manter esta grande vantagem e não prejudique o próprio time. A Ponte já assumiu compromisso público de, caso chegue às finais, lutar para realizar uma das partidas aqui. Imagine conseguir e não poder jogar no Majestoso por causa de punição. Seria um absurdo", disse o dirigente.

Além do pedido, apelando para o bom senso, o clube garante ter tomado providências para agir com rigor em caso de qualquer manifestação proibida. "Vamos atuar para impedir e, caso ocorra, identificaremos quem fez e levaremos imediatamente às autoridades para autuação e punição", completa Della Volpe.

A Federação Paulista também está atenta. "Não arremesse objetos, não invada o gramado e não pratique tumultos ou desordens. O clube poderá ser punido com perda de mando, multa ou até interdição do estádio por qualquer problema se o responsável não for identificado", garante o coronel Isidro Suíta Martins, vice-presidente de competição da FPF.

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Paulo Santana