Publicado 09 de Abril de 2013 - 5h04

Por Victor Almeida Filho

ig-PADRE VICTOR Almeida DA SILVA

CEDOC

ig-PADRE VICTOR Almeida DA SILVA

Os homens e mulheres do século 21 trazemos por influência da cultura e sociedade em que vivemos uma forma complexa de pensamento. Um modo bastante contabilista de ser e pensar as relações. Consequentemente, transportamos nosso modo de raciocínio a Deus. Imaginamos que o modo de agir de Deus seja baseado no nosso, como se fôssemos modelo a ser seguido por Ele. Mas, ao olharmos as Sagradas Escrituras, ficamos surpresos, se não, chocados com a lógica divina.

Não é raro, quando falo dessa lógica diferenciada de Deus, muitos não concordarem. Acham errado esse modo divino de agir. É comum e fácil encontrar quem tem a fé em Jesus como um Deus todo-poderoso. Raro é se deparar com quem tenha a fé que o levou a se posicionar em defesa dos oprimidos e excluídos em nome de um Deus amoroso e misericordioso.

Nesse sentido, as Sagradas Escrituras estão repletas dessas ações divinas, mas uma passagem que revela Sua lógica “subversiva” é capítulo 20 de Mateus, passagem conhecida por muitos como “dos operários da última hora” (Mt20, 1-16).

Um suposto patrão sai para contratar operários para sua vinha quando o dia amanhecia, combinando com eles uma moeda de prata pelo dia trabalhado. De novo o patrão saiu lá pelo meio da manhã, na hora do almoço, às três da tarde e no findar o dia, novamente convidando outros para o trabalho, mas agora, combinando pagar o que seria justo.

Na hora do acerto, o patrão começa o pagamento pelos últimos, dando-lhes uma moeda de prata, quando chegaram os operários da primeira hora também receberam uma moeda como os últimos, esses pensando que fossem receber mais, reclamaram com o patrão: “Estes últimos fizeram uma hora apenas e tu os igualaste a nós, que suportamos o peso do dia inteiro.”(cf. Mt20, 12) Daí nós tiramos a grande lição para nosso tempo: Deus não age a partir de uma lógica retributiva, mercantil ou contabilista. A justiça de Deus está no que foi dito: dar a cada um conforme a sua justiça. Ou dar ao último (ou aos últimos) que ainda estão nas praças de nosso tempo, a mesma oportunidade que deu aos primeiros.

Paulo, escrevendo aos Judeu-cristãos de Corinto, diz que ele prega um Deus crucificado, o que para os judeus era escândalo e para os pagãos, loucura (cf.1Cor 1,24.). A força de Deus se revela como fraqueza e debilidade. Para o Homem moderno, o que é sabedoria humana se torna insensatez para Deus (cf. 1Cor 3,18).

Num outro momento, Jesus ao ressuscitar dos mortos se manifesta vivamente às mulheres. Ele não está aqui. Ressuscitou! (cf. Lc24, 6. 10; Jo20, 1) A elas que nem testemunhas nos tribunais podiam ser. Porém, Deus em sua lógica perturbadora, subverte o que está dado e estabelecido. É às mulheres que Jesus pela primeira vez se manifesta ressuscitado e dá a elas a incumbência de anunciar aos apóstolos que Ele está vivo (cf. Jo20, 18.).

Deus manifesta-se aos homens na fraqueza e na fragilidade. Quando os homens se recusam a entender essa realidade, facilmente perdem a oportunidade de descobrir o Deus que vem ao seu encontro e de acolher os desafios e novidades que Este lhes apresenta. Normalmente, Ele não se manifesta na força, no poder, nas qualidades que o mundo acha brilhantes e que os homens admiram e endeusam; mas, Ele vem ao nosso encontro na fraqueza, na simplicidade, na debilidade, na pobreza, nas situações mais simples e banais, nas pessoas mais humildes e despretensiosas… Foi assim em seu nascimento, foi assim na sua crucificação.

Me valendo das palavras do Santo Padre Francisco na Vigília Pascal, não nos cansemos de nos admirar das novidades de Deus, pois Ele não pára de nos surpreender!

Escrito por:

Victor Almeida Filho