Publicado 08 de Abril de 2013 - 10h22

Por Tadeu Fernandes

ig-tadeu-fernandes

AAN

ig-tadeu-fernandes

Vovó Nana esta de volta! Depois da separação dos pais, até a rotina das consultas do Pedro Henrique, mais velho, agora com 8 anos de idade, e da Maria Eduarda, a caçula com 4 anos, mudou. Papai Pedrão esta morando com uma “namorada” que tem um filho na mesma idade da Duda, e aproveita para consultar todos no pediatra que já cuidava da entenda.

Mas hoje a Vovó Nana tomou uma atitude; buscou os netinhos na escola e trouxe ao antigo pediatra.

- Doutor eu não estou aquentando mais o Pedrinho e a Duda, eles estão ficando mal educados, respondões, agressivos, por qualquer motivo se batem, a escola manda bilhetinhos quase toda semana reclamando do comportamento deles, vim para o doutor receitar um calmante...

- Calmante?

Conhecendo a situação familiar, fica claro que um calmante não vai resolver nada, pode até piorar! Mas o que fazer? Vovó já se adiantou e disse que Pedrão é contra psicólogo, e que não vai gastar dinheiro com “isso”!

- É obvio que não vou dar “murro em ponta de faca”. Ai veio à lembrança uma pesquisa que li recentemente em um periódico americano de Pediatria. A terapia com aquários de peixes com excelentes resultados na redução da ansiedade de crianças e mudanças de comportamento.

Um conjunto de pesquisas cada vez maior sugere que o simples fato de se observar um peixe nadando em um pequeno aquário pode aliviar a tensão, segundo Alan Beck, diretor do Centro para o Vínculo entre Humanos e Animais da Universidade Purdue.

Beck demonstra que as crianças aprendem valores e atitudes importantes com os peixes.

Segundo ele os meninos, em particular, podem aprender a respeito da importância dos cuidados para como os outros por meio dos animais.

Os aquários precisam de cuidados diários, com a alimentação dos peixes, limpeza da água, verificação de pH, oxigenação, etc. Esses momentos rotineiros e diários da criança, segundo o terapeuta pediátrico Stan Dodson fazem com que ela assuma o papel de cuidador, elas se sentem importantes e responsáveis por alguém que depende deles para viver.

É uma inversão de papéis e elas se apegam àquele micro universo.

Elas começam a interagir com os peixinhos, falam com eles, quando um peixe está empurrando ou competindo com o outro pelo alimento, elas falam para o peixe não brigar, ficar quieto, comer tudo, enfim, tudo aquilo que elas escutam o dia todo.

Elas ficam meigas com o peixinho, apagam a luz para eles “dormirem”, literalmente mudam, com o passar do tempo, seu comportamento.

Como sabemos os peixes tem um ciclo de vida curto, e esse é outro aprendizado, o ritual da perda e da separação deve ser muito bem trabalhado. Quando o peixinho morrer deve-se fazer todo ritual de colocá-lo em uma caixa, enterrar no fundo do quintal e colocar uma placa com o nome do finado.

Comprar outro peixe ou não, deve ser uma decisão da criança. É preciso que primeiro ela assimile a perda, para depois, quando resolvida a situação, decida iniciar um novo relacionamento, com outro peixe.

Vovó Naná adorou a ideia, ia sair do consultório direto para uma loja especializada, as crianças também ficaram animadas com a ideia, mas conhecendo bem o “tigrão” do Pedrão é bem capaz dele fazer uma peixada quando eles chegarem com a novidade, e quando o peixinho morrer vai com certeza jogar no vaso sanitário, dar uma descarga e depois vai no pediatra reclamar que os filhos estão com o intestino preso e quer um laxante!

Escrito por:

Tadeu Fernandes