Publicado 09 de Abril de 2013 - 12h06

Rubens Teixeira em foto postada em seu perfil de uma rede social

Reprodução

Rubens Teixeira em foto postada em seu perfil de uma rede social

O instrutor do paraquedista Rubens de Jesus Teixeira, de 36 anos, que morreu na tarde de domingo, em Piracicaba, após um salto, disse que tentou evitar o acidente. Ele conversava com Teixeira via rádio no momento da queda. “Fiz de tudo para salvar a vida dele, mas não consegui”, lamentou o instrutor, que se identificou apenas como Bento.

Ele não quis detalhar a conversa final que teve com o aluno no momento do acidente, mas afirmou que tentou evitar o pior. “Eu fazia rádio para ele no momento (sic). Fiz tudo o que pude para tentar salvá-lo.”

O instrutor disse que viu a queda do paraquedista e ainda tentou reanimar Teixeira, que caiu de uma altura de aproximadamente 2 mil metros e morreu no local. “Ele era um cara que gostava muito do esporte e queria montar a própria escola”, contou. Questionado sobre uma suposta falha no equipamento, Bento não quis comentar. “Não quero mais falar nada sobre a morte desse meu amigo. É muito difícil para mim.”

Teixeira era um paraquedista com pouca experiência e estava em seu 25 salto solo. Pelas regras do paraquedismo, o atleta tem de ser vinculado a uma escola de instrução. Diferentemente do registro policial, e do que foi repassado à imprensa, Teixeira era aluno da escola Albatroz e não da Soluar Paraquedismo.

Comunidade

O acidente chocou a comunidade de paraquedistas da região, e pessoas que trabalham há décadas na atividade afirmaram que acidentes como esse são raros. Uma das hipóteses é que os dois paraquedas (principal e reserva) abriram juntos e se enroscaram no ar, causando a queda.

Informações preliminares que constam no boletim de ocorrência apontam que o instrutor percebeu que o paraquedas que seu aluno utilizava não estava totalmente aberto e solicitou, via rádio, a abertura do reserva. Foi nesse momento que eles perceberam que o reserva já estava aberto e que o principal havia se rasgado em sua abertura automática, que acontece em uma determinada altura, quando o paraquedista não o aciona manualmente. Com os dois paraquedas abertos, as cordas teriam enroscado e provocado a queda.

O caso foi registrado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar, mas o delegado que cuida do caso, Rinaldo Puia, do 1 Distrito Policial de Piracicaba, disse que é cedo para apontar culpados. “A perícia foi feita no local e nos equipamentos. Vamos aguardar os laudos e as oitivas com testemunhas”, antecipou. O resultado da perícia deve sair em até 30 dias. “Temos que analisar com calma, sem pressa, para que não haja nenhuma injustiça.”

Claudemiro Ângelo, de 56 anos, que é proprietário da escola Soluar, informou que Teixeira realizou dez saltos solos monitorados pela escola, mas os outros 15 foram realizados pela Albatroz Paraquedismo. Ele explicou que o registro na Associação Brasileira de Paraquedismo indicava que ele era aluno da Soluar, mas que o cadastro é atualizado uma vez por ano e não foi modificado após a mudança de escola. O instrutor Bento, que é da Albatroz, confirmou a informação. Ângelo, que possui 31 anos de experiência em paraquedismo, acredita em falha humana.

“O paraquedas é como um carro. Se não fizer o procedimento correto num determinado tempo pode ocasionar qualquer tipo de acidente. A falha, o erro, só ele (Teixeira) poderia explicar”, disse Ângelo. “Tenho 31 anos na atividade, mais de 8 mil saltos, e nunca utilizei o paraquedas reserva.”

O proprietário do avião utilizado no salto, Nelson Schmidt, contou que Teixeira foi o terceiro homem a saltar no voo das 15h e que esse foi o primeiro acidente fatal que presenciou em 25 anos trabalhando com a atividade. Nenhum responsável pela escola

Albatroz foi localizado para comentar o acidente.

Teixeira morava em Campinas, mas era natural da cidade de Guanambi (BA), onde será enterrado nesta terça-feira (9).

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