Publicado 07 de Abril de 2013 - 16h51

Por Maria Teresa Costa

Aves sobrevoam montanha de lixo no aterro Delta A: licença ambiental expira no próximo dia 30

Leandro Ferreira/AAN

Aves sobrevoam montanha de lixo no aterro Delta A: licença ambiental expira no próximo dia 30

O Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) quer desaterrar o Aterro Delta A, que recebe cerca de mil toneladas de resíduos diária de Campinas, e usar o lixo “maduro”, depositado há mais de dois anos na área, para movimentar uma indústria de cerâmica que tem interesse em se instalar nas imediações.

O desaterro é parte do projeto de criação do Polo Industrial de Reciclagem, que a entidade empresarial e a Cooperativa Remodela querem implantar no Delta A para abrigar um conjunto de cooperativas industriais que receberão o material reciclável já triado e o transformarão em matéria prima para utilização nas indústrias ou em produtos acabados para venda direta ao consumidor.

É a terceira vez que Ciesp e Remodela levam a proposta à Prefeitura. A ideia, dizem, é sempre bem recebida, mas que não deslancha. Dessa vez, disse o diretor regional do Ciesp, José Nunes, há expectativa de que o projeto poderá ser incluído no plano municipal de resíduos sólidos para que a cidade possa unir esforços para solucionar o problema do lixo.

Com o material do desaterro, depois de um processo de descontaminação, é possível fazer pelo menos cinco modalidades diferentes de tijolos, que poderiam ser empregados em programas habitacionais oficiais. Além disso, é possível fazer placas de isolamento, de larga utilização pela indústria; areias artificiais, cargas para tintas, giz e vários outros produtos.

“Da forma como está, o Delta não pode continuar e temos muito a contribuir para aumentar a capacidade do aterro e reduzir o volume de lixo depositado na área. A fórmula é o desaterro e a implantação de empresas de reciclagem, tornando as cooperativas em micro e pequenas empresas formalizadas e assim acabar com os intermediários que ficam com todo o lucro do lixo”, afirmou.

O secretário de Serviços Públicos, Ernesto Paulella, disse que tem interesse em conhecer o projeto e que a proposta de ter uma indústria de reciclagem e um projeto de desaterro, que na linguagem técnica se chama remediação, é “excelente”.

Com a nova configuração da gestão do lixo e a adoçãodo Plano Nacional, o aterro, se continuar em funcionamento, deve receber uma quantidade menor de resíduos a partir de 2014. Só poderá ser enviado para o local o material que não puder ser reciclado.

A Prefeitura espera resposta a um pedido feito á Cetesb para elevar em mais dez metros a altura do lixo depositado no Delta A e tentar garantir com isso mais um ano de sobrevivência para o aterro. Mas a proposta é criticada por ambientalistas, que pedem o encerramento imediato do aterro e a adoção de uma proposta de gestão mais eficaz e correta para o lixo de Campinas (leia texto nesta página).

“O que estamos propondo é exatamente o contrário. Em vez de aumentar a altura, nós queremos tirar o lixo que está lá”, disse o presidente da Cooperativa Remodela e diretor da Associação de Cooperativas de Reciclagem, Sidney Morelli.

Área

O entrave para a implantação do projeto está na necessidade de concessão de uma área de 100 mil m2 ao lado do aterro. A área é particular e precisaria ser desapropriada. Nunes acredita que seria viável implantar o polo dentro do aterro.

Paulella tem dúvidas, no entanto, se a agência ambiental aprovaria a implantação de um complexo de reciclagem dentro do aterro com muitas pessoas trabalhando, porque o local é de permanência limitada em função de ser uma área contaminada — o gás e o chorume estão presentes.

“A remediação é uma ótima ideia, mas complicada de se fazer porque vai interferir na célula do lixo que ainda está gerando gases e chorume. É um assunto tão sério que tem que fazer Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA-Rima)” , disse.

De acordo com o secretário, o desaterro serviria para maximizar o aterro porque já é uma área impactada. “Sempre defendi que devemos exaurir a capacidade do aterro”, afirmou.

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Maria Teresa Costa