Publicado 06 de Abril de 2013 - 5h01

Por Delma Medeiros

Manuel Ley Rodrigues, restaurador sênior da Pinacoteca, trabalha na exposição na CPFL

Dominique Torquato/AAN

Manuel Ley Rodrigues, restaurador sênior da Pinacoteca, trabalha na exposição na CPFL

Exposições de artes plásticas são restritas a uma elite, certo? Errado. Campinas vive atualmente uma situação singular e muito satisfatória com relação a este segmento artístico. Uma parceria entre a Secretaria Municipal de Cultura, CPFL Cultura e Sesc-Campinas resultou no Abril das Artes Visuais, evento anunciado ontem pelo secretário Ney Carrasco e que divulga, conjuntamente, três mostras que serão abertas este mês: 100 Anos de Arte Paulista, do acervo da Pinacoteca do Estado, que será exibida na Galeria de Arte da CPFL Cultura; 30ª Bienal Itinerante de São Paulo - Seleção de Obras, no Sesc-Campinas; e uma exposição individual do artista plástico Egas Francisco, no Museu de Arte Contemporânea de Campinas (Macc). Os campineiros também poderão conferir, sem precisar ir até São Paulo, a 1ª Mostra Itinerante de Videoarte, também da Bienal, no Sesi Santos Dumont.

“O objetivo, ao reunir as exposições, é conseguir uma maior repercussão dos eventos. Além dessas três mostras maiores, outras ações menores estão participando”, afirmou o secretário de Cultura, Ney Carrasco, informando que não teve tempo hábil para fechar a parceria com o Sesi, mas que isso está sendo articulado. Entre as outras ações citadas pelo secretário estão as exposições Agregados, do Grupo Olho Latino, no Centro de Integração e Inclusão Social (CIS-Guanabara); Comestível, projeto do Ateliê Aberto que une arte e gastronomia, e a mostra da artista plástica Suzy Zamboni Rached, na Galeria Sede. “Também estamos convidando outros artistas plásticos a proporem ações no campo das artes visuais”, disse Carrasco.

A exposição 100 Anos de Arte Paulista, na CPFL, reúne em torno de 50 obras de artistas consagrados como Di Cavalcanti, Almeida Júnior, Cândido Portinari, José Pancetti, Tarsila do Amaral, Tomie Otake, Lasar Segall, Volpi, entre outros, ao lado dos novos talentos da arte contemporânea. “Fizemos uma seleção de peças com foco nos 100 anos da CPFL — de 1912 a 2012 —, escolhendo uma peça de cada artista de forma a criar um mosaico da arte produzida no período, desde a acadêmica, passando pelos modernistas, artistas concretos, arte popular e manifestações contemporâneas”, explicou Valéria Piccoli, curadora da Pinacoteca e da mostra junto com José Augusto Ribeiro. “Apenas de alguns artistas, como Caetano Almeida e Pancetti, que são de Campinas, selecionamos duas ou três peças.” Segundo Valéria, o “objetivo foi apresentar um repertório amplo das técnicas dos artistas e dos meios de expressão, para mostrar parte do acervo da Pinacoteca e as possibilidades que a arte oferece”.

“A proposta foi reproduzir aqui a experiência de uma visita à Pinacoteca, fora de seu espaço”, disse o gerente da CPFL Cultura, Mário Mazzilli. Para tanto, nas dependências da Galeria será montada também uma loja da Pinacoteca. Fora do recorte cronológico, integra a mostra o estudo da tela "Caipira Picando Fumo", de Almeida Junior, feita em 1893. “Foi um pedido nosso para homenagear o pintor paulista que primeiro alcançou projeção nacional” , disse Mazzili.

Segundo Valéria, nas décadas de 50 e 60 havia o projeto Pinacoteca Circulante, em que o acervo percorria cidades paulistas. “Ele foi desativado e agora eventualmente levamos exposições, mas segmentadas, de um artista ou técnica. Uma mostra com esse perfil abrangente do acervo é a primeira que ocorre fora da Pinacoteca.”

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