Publicado 09 de Abril de 2013 - 5h00

Por Marita Siqueira

Integrantes da banda Filarmônica de Pasárgada. formada por sete músicos paulistanos

Divulgação

Integrantes da banda Filarmônica de Pasárgada. formada por sete músicos paulistanos

Sete jovens músicos se refugiaram na Bahia para gravar o disco de estreia da banda Filarmônica de Pasárgada, 'O Hábito da Força'. O bom humor, às vezes com ironia, e a originalidade são marcas do disco, composto por 15 canções de Marcelo Segreto (voz e violão). Como qualidade na utilização desse recurso, o grupo já ganhou alguns prêmios, como o 1º Festival da Canção da Unicamp, em 2010.

 

O projeto foi concretizado apenas agora, mas o processo se desenvolveu desde novembro de 2008, quando ainda estudavam música na Universidade de São Paulo (USP). “A gente se encontrava pelos corredores com a vontade de tocar canção popular, porque no departamento só se fazia música erudita”, revela Segreto. Com o financiamento do Programa de Ação Cultural (ProAC), da Secretaria Estadual de Cultura, a trupe colocou em prática suas novas ideias. Foi produzido por Alê Siqueira, como o selo Coaxo do Sapo, de Guilherme Arantes, e conta com participações especiais de Luiz Tatit, Ná Ozzetti, Kassin, Lurdez da Luz e Cerqueira.

Veio então a parceria com o produtor Alê Siqueira, quem os levou ao Sul de Salvador e ao encontro com Guilherme Arantes. “A gente queria ir embora para Pasárgada, aí fomos para Bahia”, brinca Siqueira, em alusão ao poema de Manuel Bandeira que inspirou o nome da banda. Lá, foram apresentados a Arantes, que é proprietário do estúdio Coaxo do Sapo, no qual o disco foi gravado. “Ele (Arantes) não chegou a tocar no CD, mas participou bastante. Estava todos os dias com a gente, ouvindo e arrumando as técnicas. Ele é um cara incrível. O estúdio é a casa dele, a começar pela arquitetura, que foi feita por ele mesmo.”

Segundo Segreto, a inversão das palavras (força de hábito por hábito de força) foi pensada para firmar uma comunicação com o ouvinte. “Apresentar um caminho não usual, porém com compreensão”, diz. Isso porque o grupo, que se inspira em Tom Zé e Luiz Tatit, valoriza muito a comunicação e o conteúdo das letras. “Nossa ideia é comunicar com o público e para isso a gente usa o bom humor e a ironia”, conta. Apenas para exemplificar, no single O Seu Tipo, muito bem-humorado e cheio de ironia, a banda brinca com a estrutura da canção e do show ao incluir aplausos do público na composição (após as palmas, a banda volta a tocar). O que a torna uma canção de fortíssimo apelo popular.

Essa faixa ainda tem participações especiais de Kassin (guitarra), Luiz Tatit (voz) e Ná Ozzetti (voz). E dela foi feito o primeiro videoclipe que já conta cerca de 40 mil visualizações no YouTube. O humor se mantém em Plano B, com uma sonoridade que remete a um jingle, com referências à publicidade, pois o personagem da canção tenta conquistar sua amada a todo custo, fazendo um comercial de si mesmo. Já Fora do Ar, aposta numa sonoridade moderna, timbres e elementos eletrônicos, sempre de maneira pop.

Exatamente no centro do disco está a faixa-título. Não por mera coincidência. De acordo com o compositor, o álbum foi construído a partir de uma simetria na organização das canções. “Reservamos esse lugar do CD (faixa 8) para dizer algo que achamos legal num trabalho artístico: quando a música faz a gente palpitar, se emocionar. Tirar a pessoa do tempo da rotina, da força do hábito. Como esta canção simétrica está bem no centro do disco temos a sugestão de que esta simetria pode se verificar em relação ao restante das faixas. E então fomos organizando o CD a partir dessa simetria. Do centro para as pontas, as canções vão estabelecendo contatos entre si. A sétima com a nona, a sexta com a décima e assim por diante”, explica.

Destaca-se no disco também a atenção para com o projeto gráfico do encarte, feito pelo renomado artista plástico Guto Lacaz. “Guto fez um encarte que dialoga de maneira incrível com nosso trabalho. Ele conseguiu traduzir graficamente a sonoridade da banda, o humor das canções e o conceito do disco: a simetria que existe entre as faixas do CD”, finaliza Segreto.

Além de Marcelo Segreto (voz e violão), a Filarmônica de Pasárgada conta com Fernando Henna (piano, teclado, acordeão e eletrônica), Miguel Antar (contrabaixo elétrico), Paula Mirhan (voz), Paulo Ramos (trombone), Raquel Rojas (fagote e flauta) e Rubens de Oliveira (bateria e percussão).

Escrito por:

Marita Siqueira