Publicado 09 de Abril de 2013 - 5h00

Por MANUEL CARLOS

Manuel Carlos - correio

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Manuel Carlos - correio

Na madrugada de 20 de maio de 2011 o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público em Campinas deu início ao cumprimento de vinte mandados de prisão e de busca e apreensão de documentos e computadores.

Gente graúda teve a prisão decretada, acusada de envolvimento num esquema de fraudes de contratos públicos, suborno e aprovação irregular de projetos imobiliários irregulares.

A cidade conheceu naquela madrugada o maior escândalo já ocorrido na Prefeitura de Campinas, mas o prefeito Hélio e a primeira-dama Rosely estavam protegidos por uma liminar obtida semanas antes na Justiça, que impedia qualquer medida coercitiva, como mandado de busca e apreensão, obrigatoriedade de prestar depoimentos ou prisão.

O vice-prefeito Demétrio e os secretários Lagos e Carlos Henrique não lograram a mesma sorte e tiveram suas prisões decretadas.

Vítima dessa bandalheira, toda a cidade paralisou e os investidores fugiram daqui, causando aos munícipes um enorme prejuízo.

Na esfera política, a Câmara de Vereadores reagiu e, por iniciativa de Artur Orsi e Rafa Zimbaldi, o prefeito Hélio e o vice-prefeito Demétrio foram cassados. Os processos de cassação foram complicados e liminares pipocavam na Justiça.

O presidente do Legislativo, Pedro Serafim, assumiu o poder e a Câmara convocou eleições indiretas para um mandato de pouco mais de um ano. Mais liminares vieram, desta feita pela Justiça Eleitoral e a cidade permanecia sangrando.

Por fim, realizadas as eleições, Pedro Serafim foi mantido no poder e era hora de começar a destravar a cidade.

Eram muitos os projetos irregulares, que não respeitaram as normas municipais. A empresa responsável precisaria assumir uma série de atribuições, como infraestrutura básica, estudo detalhado de impacto ambiental do local, oferecer contrapartidas etc.

O Ministério Público continuava atuante. Não mais através do Gaeco, mas sim das promotorias que atuam nas áreas de meio ambiente e urbanismo.

As reuniões entre os técnicos da Prefeitura, Ministério Público e empresários eram muitas vezes tensas e requeria a intervenção do prefeito Pedro Serafim como mediador desses conflitos.

Certa ocasião, um promotor de Justiça estava irredutível nas exageradas exigências que fazia para liberação de um determinado empreendimento e o empresário já impaciente disse-lhe: “Mas, doutor, desse jeito o empreendimento será liberado daqui a quatro anos”.

Nesse momento, Pedro Serafim intercedeu: “Quatro não, quatorze anos!”

O promotor, não entendendo a observação, indagou: “Quatorze, como assim?”

“É o tempo que falta para sua aposentadoria”, disse-lhe o prefeito.

Este era o mediador Pedro Serafim. Destemido, atuante e mostrando em todos os momentos o seu amor por Campinas.

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MANUEL CARLOS