Publicado 06 de Abril de 2013 - 5h00

JULIANNE CERASOLI

Cedoc/ RAC

JULIANNE CERASOLI

O GP da China se aproxima e veremos muitas matérias sobre a possibilidade de Felipe Massa se tornar o primeiro companheiro a superar Fernando Alonso em cinco classificações seguidas. Mas é motivo para comemorar?

Em 12 anos de carreira, apenas dois companheiros bateram o espanhol em quatro sábados seguidos: Trulli, em duas oportunidades, e Hamilton. Perguntei ao italiano sobre essa batalha interna. “Ele era um bom companheiro de equipe, lutávamos de maneira limpa. É possível bater Alonso, eu sei que sim. Mas, obviamente, nos últimos anos, ele construiu um nome e agora parece mais forte.”

Trulli quer dizer que Alonso conquistou uma espécie de blindagem. Vencedor, tem a equipe na mão para se beneficiar quando necessário. Na corrida, é fácil ver, com ordens e prioridades estratégicas. Na classificação, isso acontece na hora de escolher o momento em que cada piloto vai para a pista.

Porém, não é a fase atual de Massa, e sim a lavada que o brasileiro levou do espanhol nos últimos três anos que mais surpreende. A classificação nunca foi o ponto mais forte de Alonso, mas sim de Felipe. E ele levou 15 x 4 nos dois primeiros anos e 17 x 3 em 2012.

A situação de hoje é mais real e resulta de uma combinação de fatores – que não deve mudar ao longo do ano: mentalidade positiva, carro equilibrado e pneus que se aquecem com mais facilidade. Se isso fará com que Felipe fique ora à frente, às vezes atrás de Alonso, não importa. O foco é ter uma boa posição de largada, fundamental para os resultados nas corridas.

E são resultados que quem não dá bola para a atual sequência de Massa contra Alonso cobra. A última vez que o brasileiro terminou um GP à frente do companheiro foi há exatos dois anos. De lá para cá, houve interferências da equipe, mas não é a regra. A regra é que Alonso é um osso muito duro de roer aos domingos — isso, para qualquer um do grid. No momento, o único que está no mesmo nível nesse quesito é Kimi Raikkonen.

Portanto, nem tanto o céu, nem tanto a terra. Essa sequência em classificações afasta a teoria de que Massa pós-acidente nunca seria o mesmo. Uma série de circunstâncias abalou seu desempenho, mas as últimas performances são condizentes com o que já o vimos fazer — e, talvez por esse motivo, nem ele alimente o oba-oba. Ele sabe que, ainda que seja uma ótima notícia, não é algo de outro mundo. Impressionante mesmo seria superar Alonso constantemente em corrida. Até porque, sabe quantas vezes o espanhol foi batido por um companheiro em quatro GPs seguidos? Nunca.