Publicado 09 de Abril de 2013 - 14h07

Jardim Sensorial em montagem na Ceasa: mais de mil mudas de plantas e até legumes e hortaliças foram usados no ambiente, adaptado a pessoas com deficiência

Gustavo Tilio/Especial para a AAN

Jardim Sensorial em montagem na Ceasa: mais de mil mudas de plantas e até legumes e hortaliças foram usados no ambiente, adaptado a pessoas com deficiência

Um espaço de 100 metros quadrados na Centrais de Abastecimento de Campinas (Ceasa) foi transformado em um laboratório dos sentidos. As cores, cheiros, aromas, formas e sabores do mercado foram estrategicamente reunidos em uma trilha, e combinados com música ambiente, para fazer o público entrar em contato com os próprios sentimentos, muitas vezes camuflados.

O Jardim Sensorial, projetado em comemoração aos 38 anos do entreposto, fica aberto de hoje até o dia 13 de abril na área do Mercado de Flores.

Mais de mil mudas de plantas e diversas variedades de legumes e hortaliças foram usadas no jardim. Margaridas, antúrios, gérberas, azaleias, alecrim, arruda, berinjelas, uvas e nabos são alguns dos elementos do jardim, que conta ainda com o tronco de uma árvore exótica, encontrada no Sudoeste da Austrália.

Todo o percurso é adaptado para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida. A “via crúcis das emoções”, como denominou um dos autores do projeto, o paisagista Raul Cânovas, tem caminho adequado para cadeirantes, bancadas rebaixadas com plantas e hortaliças e impressos em braile.

A trilha começa obscura, em tons de preto, atmosfera opressora e música sombria. “É justamente para as pessoas que se sentiram sufocadas, angustiadas”, explicou Canôvas. Aos poucos, o caminho se ilumina e ganha as matizes alegres, os perfumes agradáveis e os aromas saborosos, característicos da Ceasa. As cores do jardim ficam cada vez mais claras, até culminarem em um mar de pequenas margaridas brancas. Tudo que está no caminho não só pode, mas deve ser tocado e provado: no meio do percurso, as pessoas até degustam alimentos.

Apesar de ter sido concebido para despertar diversas emoções, a reação de cada pessoa ao jardim é imprevisível, segundo o paisagista. “Alguém extremamente materialista pode vir ao local e ficar examinando que planta levará para a casa nova. Outro pode se emocionar com cheiros ou texturas que trazem lembranças da infância”, disse o paisagista.

Cânovas, que é argentino e mora há 42 anos no Brasil, é expert em jardins sensoriais e já fez diversos trabalhos para entidades que cuidam de portadores de deficiências. O paisagista assinou projetos para a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de São Paulo e para o Centro de Atenção Psicossocial (Caps), do governo estadual, sempre com a ajuda dos pacientes.

“Eles me ajudam a criar, têm uma sensibilidade muito mais aguçada do que as pessoas comuns. Não acredito que eles sejam deficientes. E nem gosto desse termo. Os pacientes são muito mais eficientes e inteligentes em áreas em que as pessoas consideradas normais são completamente ignorantes”, disse.

O presidente da Associação Nacional dos Paisagistas, João Jadão, outro autor do jardim, afirmou que todas as plantas foram doadas pelos permissionários da Ceasa. “Eles ficaram felizes em ajudar a montar o espaço. É um presente para quem trabalha e também para quem frequenta o local.” Completam o grupo de paisagistas convidados para o projeto Alice Izumi e Fabiana Santiago.