Publicado 08 de Abril de 2013 - 18h33

Por Agência Estado

Com o pico de produção da safra de inverno do fruto entre maio e junho, o consumidor deve pagar menos pelo produto nos próximos meses

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Com o pico de produção da safra de inverno do fruto entre maio e junho, o consumidor deve pagar menos pelo produto nos próximos meses

Os preços do tomate tendem a cair em maio, com a chegada ao mercado da safra de inverno. A previsão é do analista Fabrício Quinalia Zagati, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), que tem uma equipe dedicada ao acompanhamento diário do mercado brasileiro dos produtos hortifrutícolas. Com o pico de produção da safra de inverno do fruto entre maio e junho, o consumidor deve pagar menos pelo produto nos próximos meses, aliviando a pressão sobre a inflação.

Na opinião de Zagati, apontar o tomate como o "vilão da inflação" é uma injustiça com o agricultor, pois em abril do ano passado o preço do fruto na roça era de R$ 12 a caixa de 22 quilos. O valor era insuficiente para cobrir o custo de produção. Ele argumenta que o produtor neste ano chegou a receber R$ 100 pela caixa de tomate justamente por causa do desestímulo provocado pelos baixos preços do ano passado, que levaram a uma redução de 20% na área da safra de verão, que foi plantada no segundo semestre e colhida a partir de dezembro de 2012.

 

O analista afirmou que nos contatos diários com as fontes de mercado o Cepea apurou que, mesmo com os altos preços do tomate nos primeiros quatro meses deste ano, a expansão da área não deve ser expressiva no plantio de inverno, por causa do temor de que o excesso de oferta mais uma vez pressione os preços e também devido à limitação de área disponível e à falta de mão de obra. A estimativa é de aumento de área entre 3,5% a 5% nas principais regiões produtoras.

A colheita iniciou em março em Araguari (MG), Sul de Minas, Paty do Alferes (RJ) e norte do Paraná, as primeiras a ofertar o fruto de inverno. A partir deste mês começou entrar no mercado o produto de Mogi Guaçu e Sumaré (SP), Itaocara (RJ) e Pará de Minas (MG). Em maio começa a colheita em São José de Ubá (RJ).

Zagati não acredita que a isenção da tarifa de importação de 10% seja suficiente para resolver o problema de alta de preços do tomate com a vinda de produtos do exterior. Ele considera difícil a importação da China, por causa da questão de preços para colocar o produto no mercado brasileiro e também de qualidade, pois o tomate de mesa é um produto de "vida de prateleira curta". A tendência para os próximos meses é de queda de preços do tomate, mas os valores devem ser superiores aos da safra de inverno do ano passado, diz o analista.

Alta não resolveu os problemas dos produtores

Mesmo com o preço elevado, os agricultores ainda contabilizam prejuízo com a queda de produtividade da lavoura de tomate.

O engenheiro agrônomo da Casa da Agricultura de Monte Mor, Geraldo Magela Ferreira, afirmou que houve uma perda de 20% até o momento. “Na safra de Verão, em virtude da concentração de chuvas na época de frutificação e variações bruscas de temperaturas, aconteceram problemas de abortamento de frutos, viroses e bacterioses. Há pelo menos 20% de perdas até agora”, apontou.

Ele afirmou que na safra de Inverno (cuja colheita acontece a partir de outubro) a expectativa é de cerca de 100 mil caixas e no Verão (colheita a partir de abril)de 250 mil caixas de 25 quilos.

“A média é de 2,5 mil caixas de 25 quilos por hectare”, disse. Ferreira salientou que o tomate ocupa a quinta posição em área cultivada no município. “A cidade tem também grandes áreas de cana-de-açúcar, grãos (milho e feijão), reflorestamento e tubérculos”.

O engenheiro lembrou que, para a implantação e manutenção de qualquer cultura, há cuidados pontuais que demandam adubação equilibrada, tratos fitossanitários e irrigação.

“Isso e mais uma mão-de-obra especializada cada vez mais difícil de encontrar na região. Os aspectos dos tratos culturais, em conjunto, encarecem a produção do tomate em relação a outras hortaliças, menos exigentes. Ela é uma cultura de grande investimento”, explicou.

Ferreira afirmou que estima que 50 famílias de arrendatários produzam tomate na cidade - número que, segundo ele, varia ano a ano.

O coordenador técnico de Desenvolvimento Tecnológico para a cultura do tomate no Brasil, da Seminis, Jorge Hasegawa, afirmou que o Brasil é um dos nove principais produtores mundiais de tomate, sendo que os tipos predominantes são dos segmentos salada redondo e Santa Cruz.

“Cultivares do segmento alongado italiano têm crescido nos últimos anos, assim como as especialidades do tipo minialongado. Entretanto, a diversidade de cultivares é tradicional no mercado de tomates, variando tanto em formato e tamanho quanto em cores e apelos visuais”, comentou.

Ele ressaltou que na região de Campinas, um dos mais importantes polos produtores de tomate do Brasil, os tipos varietais mais predominantes são o salada redondo, o italiano alongado e o Santa Cruz, seguidos por algumas iniciativas de minitomate cultivado em ambiente protegido.

Hasegawa ressaltou que o cultivo de tomate não está em crise, mas enfrenta muitos desafios relacionados às variações climáticas e à pressão de doenças e pragas. “Nos últimos anos, a pressão de novas doenças e pragas e as flutuações climáticas impactaram o potencial produtivo do tomate, diminuindo a oferta em determinados períodos do ano”, salientou.

O especialista apontou que a produtividade do tomate no Estado de São Paulo é uma das mais altas do País, entre seis a nove quilos de frutos por pé. 

Colaborou Sheila Vieira 

Escrito por:

Agência Estado