Publicado 07 de Abril de 2013 - 10h43

Por Adriana Leite

Lojas e consultoras confirmam interesse crescente de consumidores

Divulgação

Lojas e consultoras confirmam interesse crescente de consumidores

A mudança de comportamento dos brasileiros e o desejo dos casais de apimentar a relação fazem subir ano a ano os números de um mercado bilionário: o de produtos eróticos.

Em 2012, a venda de itens como géis, cosméticos, lingeries, vibradores, máscaras, fantasias e acessórios de fetiche atingiu a marca de R$ 1 bilhão. O segmento avança dois dígitos por ano e tem um verdadeiro exército de distribuidores autônomos com mais de 85 mil consultoras.

O setor conta ainda ainda com 11 mil sex shops e boutiques sensuais no País. Os números confirmam: o consumidor (e a consumidora) brasileiro deixou a vergonha de lado, e ano após ano e incrementa a relação com uso de apetrechos sensuais.

A região de Campinas, além de ser um mercado cobiçado pelo varejo e os fabricantes, é o endereço da maior indústria de produtos sensuais do Brasil: a Hot Flowers.

Instalada em Indaiatuba ela comercializa mais de 1,2 milhão de unidades de artigos diversos e 300 mil peças de lingeries e fantasias por ano. A indústria tem sete galpões, uma área de 6,5 mil metros quadrados e um catálogo com mais de 700 itens.

O sucesso (e os lucros) se refletem na figura da nova garota-propaganda da marca: a a modelo paraguaia Larissa Riquelme.

A empresa foi ainda uma das patrocinadoras da 20 Erótika Fair, principal palco de divulgação das novidades do setor, que termina hoje em São Paulo.

A presidente da Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico e Sensual (Abeme), Patrícia Aguiar, afirma que o mercado brasileiro é vigoroso e o consumidor anda cada vez mais seduzido pelos produtos eróticos.

As mulheres ainda lideram com folga as compras nesse mercado, mas a participação dos homens vem crescendo - inclusive com direito a visitas às sex shops e boutiques sensuais.

“Os produtos identificados como sendo para uso de casais ganham espaço. Os parceiros querem ampliar o prazer a dois de descobriram que usar um brinquedo erótico é ótimo para isso”, diz.

Ela aponta que os consumidores têm inúmeras opções de produtos, desde géis até itens bastante sofisticados. A presidente da Abeme salienta que o mercado está em ascensão por vários fatores - dos quais filmes como “De Pernas pro Ar” (uma comédia que conta a história de uma mulher que entra no mercado de sex shop) e livros como a trilogia “50 Tons de Cinza” (um romance com tons sadomasquistas), ambos lançados no ano passado, não são menos importantes.

“Hoje o Brasil é um grande consumidor de produtos eróticos. Temos inclusive fabricantes de renome, principalmente na área de cosméticos e lingeries. Só quando se trata de equipamentos mais sofisticados é que ainda têm que ser importados”, afirma.

Segundo ela, há vários canais de vendas dos produtos - mas as consultoras seguem como a força relevante na distribuição das mercadorias. “As lojas na internet, porém, vêm apresentando um desempenho muito positivo”, diz.

Patrícia comenta que as boutiques sensuais expandem a presença no mercado e que as sex shops passam por uma adequação para atender a um consumidor cada dia mais interessado em apimentar a relação.

Ela conta que hoje os consumidores comemoram aniversário, fazem despedidas de solteiro, chás sensuais eaté aniversários de união em boutiques- ou mesmo emsex shops. De acordo com Patrícia,os produtos mais comercializados no mercado brasileiro no ano passado foram géis, vibradores líquidos, cremes e pomadas ecápsulas de banho.

Varejistas comemoram vendas cada vez maiores 

Lojas e consultoras confirmam interesse crescente de consumidores

Os varejistas comemoram os números do mercado de produtos eróticos e sensuais: cada vez mais consumidores estão se animando a conhecer o setor.

Além das mercadorias comercializadas, as boutiques e sex shops oferecem cursos para quem deseja se aprofundar em técnicas como o pompoarismo e as massagens sensuais.

A gerente da Amore Totale, Lúcia Gonçalves, afirma que a frequência de casais e homens na loja aumentou. “As mulheres são as principais clientes, principalmente na faixa dos 35 aos 50 anos, mas temos consumidores de diversas faixas etárias. As pessoas se habituaram a entrar em uma loja de produtos sensuais como em qualquer outro estabelecimento”, comenta. A empresa vende mais de 400 produtos e também oferece cursos.

O proprietário da Boutique Erótica Tudo a Flor da Pele, Marco Antônio Robatini, diz que o mercado apresenta uma evolução constante e vários tipos de público se interessam pelos produtos. “Os consumidores estão mais ousados”, aponta.

Há pouco mais de dois meses, a autônoma Sílvia (nome fictício) passou a comercializar produtos por meio de catálogo. Profissional da área de prestação de serviços, ela afirma que a aceitação é grande.

“A maioria das clientes prefere a pronta entrega. Mas há algumas, mais tímidas, que acham mais confortável levar o catálogo para casa, olhar com calma, escrever os pedidos em um papel ou mandar por e-mail”, conta.

Ela comenta que, por enquanto, a sua clientela é prioritariamente feminina. Mas sabe do interesse masculino por produtos que possam esquentar a relação a dois. Segundo ela, os consumidores adoram as novidades.

Sílvia diz que o tradicional gel para massagem que causa uma sensação de “esquenta e esfria” na pele também tem público cativo.

A vendedora de produtos sensuais afirma que tem um catálogo diversificado. “São desde cosméticos, como o géis para massagem de diversos tipos, até brinquedinhos, camisinhas, lingeries, vibradores e acessórios como correntes, máscaras e chicotes. Dá para atender a todos os gostos”, comenta.

A venda dos produtos é uma ocupação secundária que já rendeu em pouco mais de um mês R$ 500,00. Ela acredita que se trabalhasse só com a comercialização dos produtos os lucros seriam maiores. 

 

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Adriana Leite