Publicado 09 de Abril de 2013 - 8h27

Por France Press

Um homem armado atirou e matou nesta terça-feira (9) perto de Belgrado 13 pessoas, membros de sua família e vizinhos, incluindo uma criança de dois anos de idade, antes de tentar o suicídio, em um dos casos mais sangrentos dos últimos 20 anos na Sérvia."Doze pessoas morreram no local e uma terceira morreu no hospital", indicou à imprensa o diretor da polícia sérvia, Milorad Veljovic, que descreveu os assassinatos como "monstruosos".

Ljubisa Bogdanovic, de 60 anos, assassinou com uma arma que ele portava legalmente seis homens, seis mulheres e uma criança de dois anos.

Segundo os vizinhos das vítimas, a criança morta era um garoto chamado David e a maioria dos mortos tinham algum parentesco com seu assassino.

Ao ouvir os tiros, policiais que patrulhavam a região foram ao local e "impediram um massacre ainda maior, porque, ao ver os policiais, Bogdanovic atirou em sua própria cabeça", segundo a polícia.

O assassino foi hospitalizado e está em estado grave, assim como sua esposa.

O tiroteio ocorreu por volta das 03h00 GMT (00h00 de Brasília) em cinco casas diferentes em Velika Ivanca, um vilarejo 50 km ao sul de Belgrado, informou o chefe de polícia, que indicou "desconhecer a motivação" para os assassinatos.

Nesta aldeia de 1.700 habitantes, as casas onde ocorreram os crimes foram isoladas e muitos policiais impediam o acesso de qualquer pessoa.

O assassino havia participado, em 1991, ao lado das forças sérvias no conflito servo-croata (1991-1995), mas, segundo a polícia e vizinhos, nada em sua vida indicava um possível massacre.

"Era o melhor dos vizinhos. Nada indicava que tal coisa pudesse acontecer", revelou Stanica Kostadinovic, uma senhora de 60 anos.

"Só ele sabe o motivo para os assassinatos. Era, como seu filho, um bom vizinho. Trabalhador, gentil, sempre disposto a ajudar", acrescentou.

"Eu falei com ele ontem, perguntei como ele estava e ele disse que estava bem", lembrou ela, garantindo que o homem, que passou a se dedicar à agricultura depois de ter perdido o emprego, "não bebia" e sua família era "agradável".

Seu marido, Milovan Kostadinovic, no entanto, citou problemas psiquiátricos de alguns membros da família do assassino.

"Ele cresceu sem seu pai, que cometeu suicídio. Seu tio e seu primo chegaram a ser hospitalizados no passado por problemas psiquiátricos", contou.

Em uma colina perto da área onde o massacre ocorreu, no jardim de sua casa pintada de amarelo, Radmilo Bogdanovic, 62 anos, o irmão do assassino, chorava e não conseguia compreender o que havia acontecido.

"Ele (o assassino) era a personificação da honestidade. Quando criança, era tímido. Era um homem incapaz de matar uma mosca", disse entre soluços.

Olhos vermelhos de lágrimas, Radmilo declarou que seu irmão tinha ficado marcado por sua participação no conflito entre sérvios e croatas: "Quando tentava tocar no assunto, ele respondia: 'Que Deus te livre do que passamos lá' ".

Todas as vítimas estavam dormindo no momento do ataque e morreram com um tiro na cabeça, informou a polícia, mas de acordo com vizinhos, alguns foram mortos ao abrir a porta de suas casas para seu assassino.

Um jovem, de vinte anos, Aleksandar Stekic, foi poupado porque dormia no segundo andar de sua casa, enquanto sua mãe foi morta no térreo.

Segundo a polícia, o assassino primeiro matou seu filho de 42 anos e sua mãe e feriu sua esposa antes de levar o terror às casas vizinhas.

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