Publicado 05 de Abril de 2013 - 12h18

O presidente do Uruguai, José Mujica, disse nesta sexta-feira que nada nem ninguém poderá separar argentinos e uruguaios, um dia depois de suas declarações sobre a presidente argentina, Cristina Kirchner, e seu falecido marido, Néstor Kirchner, causarem uma saia-justa diplomática com este país.

Após uma longa revisão da história do processo de independência do Rio da Prata e do vínculo histórico entre Uruguai e Argentina, Mujica sustentou em seu programa de rádio "Fala o presidente" que "embora a história tenha nos separado, nada nem ninguém pode dissolver nossa história".

"Pertencemos ao grupo destes povos e temos que andar bem com toda a humanidade, mas em primeiro lugar com os povos que nasceram na primeira matriz e nada nem ninguém poderá nos separar, definitivamente", concluiu o presidente uruguaio.

Mujica não se referiu em nenhum momento as suas polêmicas declarações, captadas pelos microfones - e divulgadas ao vivo pelo site da Presidência - quando o presidente conversava em voz baixa com o governador do departamento da Flórida (centro-sul), Carlos Enciso.

Sem perceber que os microfones já estavam abertos, Mujica comentava as relações com os países vizinhos, Brasil e Argentina, quando sustentou que "esta velha é pior que o caolho", declaração interpretada como uma alusão a Cristina Kirchner e a seu falecido marido, Néstor Kirchner.

"O caolho era mais político, essa é teimosa", acrescentou o presidente uruguaio.

Depois, o presidente lembrou o presente dado por Cristina Kirchner ao papa Francisco após sua eleição. "Foi explicar a um Papa argentino, que já viveu 77 anos, o que é um mapa? Digo, o que é um mate e uma garrafa térmica?".

Uma hora após a divulgação de suas declarações, Mujica afirmou à edição na internet do jornal La República que "estava falando de Lula e do Brasil" e que publicamente não falou da Argentina.

"Eu não vou dar bola nem vou percorrer o mundo esclarecendo nada. Que inventem os disparates que quiserem", acrescentou.

Mas as declarações foram divulgadas rapidamente pelos meios de comunicação e pelas redes sociais, e geraram uma dura resposta da chancelaria argentina.

"A Argentina assinala que é inaceitável que comentários ultrajantes, que ofendem a memória de uma pessoa falecida, que não pode se defender, tenham sido realizados, particularmente, por alguém que Kirchner considerava seu amigo", indicou o chanceler argentino, Héctor Timerman, em uma nota de protesto que entregou ao embaixador do Uruguai em Buenos Aires.

A nota expressou "o profundo mal-estar produzido pelas expressões" de Mujica.