Publicado 09 de Abril de 2013 - 5h00

Por Correio Popular

As enormes carências em todos os setores da vida pública requerem que cada vez mais a competência dos administradores, seja para compensar a falta de recursos ou para otimizar as precárias condições de funcionamento da máquina pública. Enquanto verbas públicas são desperdiçadas em gestões de incompetência ou desvios em esquemas de corrupção, a população amarga as dificuldades para contar com serviços essenciais, numa roda-viva que parece não se quebrar apenas com vontade política.

A Saúde é um setor onde as carências são mais evidentes e mais dramáticas. As filas nos postos, a dificuldade de conseguir consultas e exames, as filas nos hospitais, tudo aponta para sinais de distanciamento das metas ideais. Faltam recursos, os investimentos parece não reverterem para a melhoria das condições de atendimento da população, impondo um padrão de gestão que garanta um mínimo de funcionalidade para o setor.

Diante do quadro desolador que é o atendimento em saúde, surpreende que Campinas desperdice oportunidades que poderiam contribuir para reduzir o passivo acumulado de décadas de incúria. O município conta com verba de R$ 4,9 milhões do programa do governo federal Requalifica UBS, que prevê reformas ou construção de 14 Unidades Básicas de Saúde. Por falta de terreno ou mesmo de projetos, a verba liberada entre 2010 e 2011 está retida no Ministério da Saúde, em processo que pode comprometer até mesmo novos pedidos de financiamento (Correio Popular, 7/4, A10).

A situação torna-se mais grave se considerados outros R$ 15 milhões disponíveis no Ministério da Saúde para a construção do Pronto Socorro Metropolitano, outro projeto inexplicavelmente engavetado.

Avalia-se hoje a forma como as requisições de verbas públicas foram feitas. Cogita-se até que os recursos sejam insuficientes e exigiriam contrapartidas do município para a execução das obras, o que, de toda forma, compromete a seriedade com que o setor vem sendo considerado nos últimos anos. A Região Metropolitana de Campinas (RMC) enfrenta a beira do caos no setor de Saúde e não há espaço para erros desta natureza. Há explicações a serem dadas e providências a serem tomadas para que não se assista à perda de recursos justamente onde eles são mais necessários.

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