Publicado 06 de Abril de 2013 - 5h00

Por Correio Popular

O Brasil tem um decantado potencial para a produção de combustíveis alternativos, chegando a propor acordos internacionais para a difusão do know how específico na produção de etanol hidratado como opção para a crise energética que se desenha para futuro próximo. Desde o ufanista Proálcool dos anos 80, que veio em resposta à crise internacional do petróleo, o País acumula experiências bem sucedidas, ainda que não tenha enfrentado de forma equilibrada a questão ambiental.

Hoje o álcool faz parte da matriz energética brasileira, levando principalmente à inclusão de uma frota de veículos flex, que estimulou o desenvolvimento de tecnologia avançada e disseminou o uso do combustível. Mas peca o governo pela instável política do setor, que oscila de forma inexplicável que não seja pela incompetência de estabelecer metas de longo prazo, como requer a cadeia de produção e consumo. Para investimentos, são necessários estabilidade, planejamento e segurança, o que não faz parte da agenda pública.

Marcos Jank, ex-presidente da União da Indústria Canavieira, em análise sobre a mudança de foco no setor, cobrou recentemente do governo uma política clara e definida para o setor, sob o risco de uma reversão no mercado que condenaria a frota flex a uma desativação comprometedora (Correio Popular, 24/4, B12). Com efeito, as idas e vindas da política governamental não inspiram a necessária segurança para investimentos pesados, obrigando produtores a se adaptarem à mudança de metas e os consumidores a um contínuo processo de inclusão do álcool como combustível prioritário. Os investimentos na estrutura de produção prevê uma antecipação de três anos para a construção de usinas e até 15 anos para a recuperação do capital. Prevê-se que o álcool, que já foi usado por 50% do consumo da frota nacional, caia para 15% se não forem adotadas medidas sérias de correção.

Essa instabilidade tem um custo muito alto para o Brasil. A falta de rumo — que não é exclusiva do setor energético — implica em desperdício de recursos, inibe a retomada de investimentos, compromete orçamentos, cria uma bolha de consumo insustentável e abala a confiança nos rumos políticos. Se o governo insiste em alardear segurança, mesmo que anunciando uma autossuficiência na produção de petróleo que só existiu na cartilha onírica do ex-presidente Lula, pode estar traçando um futuro sombrio que oscila entre a vanguarda da produção de fontes energéticas alternativas e a eterna dependência de uma matriz finita e imposta por interesses internacionais.

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