Publicado 08 de Abril de 2013 - 5h00

Times também pagam R$ 250,00 para participar do torneio Liga Noroeste, que também é organizado pelo vereador, segundo os moradores

Gustavo Tilio/ Especial para AAN

Times também pagam R$ 250,00 para participar do torneio Liga Noroeste, que também é organizado pelo vereador, segundo os moradores

Times amadores da região do Campo Grande, em Campinas, são obrigados a pagar uma taxa de R$ 30,00 para usar o campo de futebol - uma área pública - no bairro Jardim Rossin.

A cobrança, segundo eles, é feita por pessoas de confiança do vereador Paulo Galterio (PSB) que, meses antes das eleições, cercou o campo e construiu um bar que abre em dia de partida.

O espaço é frequentado todos os finais de semana por times amadores da região e atrai dezenas de pessoas. Os times também pagam R$ 250,00 para participar do torneio Liga Noroeste, que também é organizado pelo vereador, segundo os moradores.

A área no Jardim Rossin existe há pelo menos 20 anos e até então estava nas mãos da Associação de Moradores que realizava a manutenção com a doação de vizinhos e comerciantes. O grupo alega ter perdido o comando do espaço desde a chegada de Galterio.

O campo, na sexta-feira (5), foi alvo de uma operação da Guarda Municipal e da Serviços Técnicos Gerais (Setec), que apreendeu uma estrutura onde seria realizada uma feira clandestina para venda de roupas e sapatos por um grupo de São Paulo.

A reportagem esteve na manhã de domingo (7) no campo de futebol onde começava uma partida de dois times amadores dos bairros próximos. Antes do jogo, os participantes tentavam melhorar o gramado com enxadas, tirando o barro e até um pé de mamona que nasceu no local. Algumas pessoas chegaram a chamar a cobrança para o uso do campo de futebol - que ocorre também em outro bairros - de "máfia" . A região do Campo Grande tem poucas áreas de lazer.

Segundo relato dos moradores, Galterio surgiu no bairro ano passado, antes das eleições, e prometeu reformar o campo. O espaço foi cercado, construído um bar que permanece aberto em dias de torneio e é administrado por pessoas de confiança do vereador. O apoio, admitem os moradores, fez com que muitas pessoas votassem no parlamentar.

"Eu acho que muita gente votou nele porque disse que apoiaria os times de futebol daqui" , disse uma estudante de 19 anos que pediu para não ser identificada. As melhorias, porém, nunca vieram.

Os integrantes do time afirmam terem feito o pagamento para inscrição na Liga Noroeste em um escritório do vereador, que ele mantinha no bairro Satélite Íris 2, ano passado. Pelo menos 50 times participam no torneio - o que daria um total de cerca de R$ 12 mil por campeonato.

Geralmente, são realizados dois torneios por ano. Os jogadores também pagam R$ 70,00 por jogo para contratação de um juiz para apitar a partida.

"Se a gente não participar (do torneio), ficamos sem campo para jogar" , disse o metalúrgico Antonio Carlos de Almeida, de 29 anos, que integra o time Independente e ontem tentava iniciar uma partida no campo do Rossin.

"Ele (vereador) foi muito aproveitador. Os times bancam tudo: uniforme, chuteira, bola e ainda tem de pagar para jogar aqui, que é público. Isso não é um campo, é um pasto", disse o promotor de vendas Fernando da Silva, de 30 anos.

O presidente da Associação de Moradores, Marcos Aparecido Moraes, afirma que o campo foi construído pelo antigo loteador da área e cedido à associação há mais de 20 anos. A Prefeitura também já apoiou reformas e manutenções algumas vezes.

"Ele prometia arrumar o campo, mas fez isso só para ganhar votos, não trouxe nenhum benefício para a população." Moraes afirma que, no início, a associação não se manifestou em relação às promessas do vereador porque não tinha condições financeiras de fazer uma reforma.

"Quando a gente foi questionar a cobrança, ele usou termo de advogado. Ele é bem estudado, diz que está na lei e ficamos sem argumento" , disse o presidente da associação. Segundo ele, os times cedem à cobrança porque gostam de jogar futebol aos finais de semana e não têm outras opções de área para usar.

Na tarde de domingo, a reportagem tentou contato por telefone com o vereador, mas ao saber do assunto, disse que não poderia falar no momento e desligou o telefone. Galterio foi procurado, pelo celular por mais três vezes no final da tarde, mas não atendeu. O seu assessor foi contatado, informado sobre a reportagem, mas também não retornou as ligações.