Publicado 06 de Abril de 2013 - 17h10

Foram 14 cenas, sem nenhuma palavra dita, nas quais os sete atores e os dois músicos agitaram o cenário

Gustavo Tílio/ Especial para AAN

Foram 14 cenas, sem nenhuma palavra dita, nas quais os sete atores e os dois músicos agitaram o cenário

O entorno do Centro de Convivência Cultural (CCC) foi palco na manhã de sábado (6) do espetáculo (ver[ ]ter), da Cia. Les Commediens Tropicales, inspirado nas obras do artista de rua britânico Banksy.

A apresentação reúne diversas cenas em que os atores utilizam os espaços públicos realizando performances, com placas com mensagens chamativas, danças e ações, inclusive no meio da rua e nas calçadas, provocando o público a refletir sobre como funcionam e são utilizados estes espaços.

Através do Programa de Ação Cultural da Secretaria de Estado da Cultura (ProAC), a encenação está circulando pelo interior de São Paulo. Já passou pela região de Ribeirão Preto e encerrou aqui a rodada da Região Metropolitana de Campinas (RMC). “Estivemos em Paulínia, Sumaré, Valinhos e quisemos finalizar este ciclo em Campinas, pois foi onde o grupo nasceu em 2003”, ressaltou Carlos Canhameiro, integrante e fundador da trupe que se formou no curso de Artes Cênicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Foram 14 cenas, sem nenhuma palavra dita, nas quais os sete atores e os dois músicos agitaram o cenário já bastante movimentado aos finais de semana por conta da feira de artesanato, que acontece ali.

Embora tenha feito muitas pessoas pararem para assistir e acompanhar a movimentação das cenas, a inusitada apresentação intervencionista, quando seguiu do Teatro de Arena para a esquina das ruas General Osório e Julio de Mesquita, fez com que a Guarda Municipal acionasse a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec).

De acordo com a assessoria de imprensa Prefeitura, a Emdec interveio na apresentação porque o grupo só tinha autorização para atuar na praça do Centro de Convivência e no Teatro de Arena e também pelo fato de estar causando congestionamento na região.

Para o grupo, o propósito de “mostrar que a rua não é só dos carros e que o pedestre também tem direito de estar nela”, foi cumprido.

Tristeza ao rever o CCC

Decepção. Esta foi a palavra que os integrantes da formação inicial da Cia. Les Commediens Tropicales usaram para expressar o que sentiram ao voltar a Campinas e rever o Centro de Convivência e o Teatro de Arena. “Fiquei triste e constrangido ao ver o estado em que se encontram. Como pode uma cidade como Campinas deixar locais tão importantes ficarem abandonados. Os lustres do Centro de Convivência estão caindo”, disse Canhameiro.

“É sempre bom voltar à cidade, mas o que eu vi aqui considero um atentado contra a cultura”, completou.

O ator Daniel Gonzalez, que morou na cidade entre 1998 e 2002, afirmou que o teatro fez parte de sua formação artística e que ficou “baqueado” ao revê-lo nas atuais condições. “Voltar aqui me fez recordar as dezenas de espetáculos que assisti. É um ponto significativo da cultura de Campinas e não pode continuar assim”.