Publicado 09 de Abril de 2013 - 8h41

Por Agência Anhanguera de Notícias

A Câmara e a Prefeitura de Campinas vão investigar a denúncia de que o vereador Paulo Galterio (PSB) cobra uma taxa de R$ 30,00 por partida para que times amadores da região do Campo Grande usem um campo de futebol em uma área pública no Jardim Rossin, como revelado ontem pelo Correio.

A Prefeitura prometeu averiguar a situação e ocupar a praça, que, segundo moradores, está nas mãos do vereador desde o ano passado com promessas de apoiar times. Na Câmara, a decisão por acionar a Corregedoria da Casa foi anunciada pelo presidente Campos Filho (DEM) no final da sessão de ontem, depois de um jogo de empurra entre os parlamentares, que evitavam se comprometer e blindaram o colega de Legislativo — filiado ao mesmo partido do prefeito Jonas Donizette. O presidente municipal do PSB e secretário de Relações Institucionais de Jonas, Wanderley Almeida, disse que a conduta do político será apurada também na legenda.

Galterio, pela segunda vez, não quis falar com a reportagem do Correio sobre o caso. Também não mencionou o assunto na tribuna.

O processo de investigação da Câmara pode resultar na cassação do mandato do vereador. Nos bastidores, alguns parlamentares avaliavam que a conduta de Galterio se caracteriza como quebra de decoro.

Durante a sessão, ao serem questionados sobre a denúncia dos moradores da região do Campo Grande, os parlamentares diziam que essa iniciativa teria de partir da Corregedoria da Casa, que é comandada pelo vereador Cidão Santos (PPS). Cidão, por sua vez, disse que a Corregedoria teria de ser provocada por meio de uma representação feita por algum vereador, partido político ou cidadão, para iniciar uma investigação. Questionado em que legislação essa regra estava prevista, Cidão não soube responder. “É um critério. Vou sair por aí andando como investigador? Se a pessoa fez a denúncia no jornal, ela pode vir aqui e protocolar uma representação”, disse.

Segundo ele, uma denúncia publicada no jornal não possui informações suficientes para ser iniciado um processo contra um vereador. Minutos depois, após Campos declarar que iria entrar com uma representação por meio de uma cópia da reportagem veiculada no Correio, ele aprovou a medida. O processo tem início imediato.

Alguns vereadores chegaram a dizer que levariam o caso para ser discutido em reunião da bancada do partido na próxima semana e mudaram de assunto. Na tribuna, Paulo Bufalo (PSOL) foi o único a questionar a Corregedoria sobre a denúncia, mas ninguém mais se manifestou. “Precisamos chamar a Corregedoria a atuar. São denúncias de conteúdo”, disse. Ninguém mais se manifestou.

Os vereadores da bancada do PSB também se esquivaram de qualquer saia-justa com o colega de partido. O líder da bancada peessebista, Antonio Flôres, e o vereador Luiz Lauro Filho disseram que precisariam conversar com Galterio para saber se a denúncia feita pela população do Jardim Rossin é verdadeira. “Como saber se há qualquer veracidade nessa denúncia? Temos que falar com o vereador”, disse Flôres.

O presidente do PSB, Wanderley Almeida, disse que teve uma conversa informal ontem com o vereador e que ele negou as acusações. “A Prefeitura vai averiguar e se ele estiver fazendo isso, vai cessar”, disse. A Prefeitura deve iniciar a retomada da área ainda nesta semana.

O caso

Os times amadores e moradores da região do Campo Grande afirmam ser obrigados a pagar uma taxa de R$ 30,00 em cada partida para usar o campo de futebol em uma área pública, no Jardim Rossin. A cobrança, segundo eles, é feita por pessoas de confiança de Galterio que meses antes das eleições cercou o campo e construiu um bar que abre em dia de partida. O espaço é frequentado todos os finais de semana por dezenas de pessoas. Os times também pagam R$ 250,00 para participar do torneio Liga Noroeste, que também é organizado pelo vereador. A posse do campo ocorreu junto com uma promessa de apoio aos times da região, poucos meses antes da campanha eleitoral. No entanto, além de explorar a área, o estado do campo é precário. O local foi cedido à Associação de Moradores que afirma ter perdido a autonomia do espaço.

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