Publicado 07 de Abril de 2013 - 9h33

Policiais militares durante blitz na Avenida Marechal Rondon, Jardim Chapadão, em Campinas: [/LEGENDA]na atividade, qualquer situação pode se tornar um perigo de morte

Leandro Ferreira/AAN

Policiais militares durante blitz na Avenida Marechal Rondon, Jardim Chapadão, em Campinas: [/LEGENDA]na atividade, qualquer situação pode se tornar um perigo de morte

A vida em constante risco, em que qualquer situação pode se tornar perigo de morte.

A rotina dos policiais militares que trabalham com policiamento preventivo e ostensivo nas ruas da cidade é de adrenalina. Eles estão expostos a situações de estresse na maior parte do tempo em que estão trabalhando. E até mesmo quando voltam para casa, no final do dia, a profissão não permite que fiquem mais tranquilos e que abandonem de verdade a farda.

Por estarem expostos a riscos, a todo momento, segundo os próprios policiais, eles acham que deveriam ter, no mínimo, uma assistência médica rápida e ágil. Mas não é isso que acontece. Os policiais militares do Estado de São Paulo, assim como a maioria dos servidores públicos, não possuem plano de assistência médica como benefício do Estado.

Todos os batalhões de polícia — em Campinas são três (8º, 35º e 47º) — possuem um oficial médico que atende todo o grupamento do setor. No local, há também uma unidade de terapia intensiva (UIS), para casos extremamente urgentes.

Mas, quando ocorrem casos graves, como um soldado baleado ou ferido em acidente, o policial tem que ser atendido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) — na maioria das vezes, no Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) ou no Hospital Municipal Dr. Mário Gatti — e depois acaba transferido para o hospital da corporação, chamado de Centro Médico da Polícia Militar, em São Paulo. Durante o tratamento, fica longe da família e de casa. Apesar do atendimento “de qualidade”, o hospital não atende a família do policial.

“É complicado, pois não tem jeito. O único hospital que atende fica na Capital e é apenas para os policiais da ativa”, afirmou Francisco Martins de Souza, presidente da Associação Policial de Assistência à Saúde (Apas).

Devido a essa falta de amparo em todo Estado, foram criadas associações que uniu policiais para conseguirem descontos em convênios médicos. Em Campinas, a Apas é uma dessas associações. Em todo Estado, são 34. Cada uma é responsável pelo atendimento de uma determinada área. “Surgimos dessa deficiência e dessa falta de perspectiva dos PMs em relação a cuidados de saúde. Mas, apesar de darmos toda a assistência necessária para o PM e sua família na cidade onde moram, eles têm um gasto que é complicado, já que os salários são baixos.”

De acordo com o presidente da associação, o custo com assistência médica compromete cerca de 20% do salário de um policial. “Imagina para quem é pai de família, com mais de um filho e que paga aluguel. Ele não tem condições de arcar com mais essa despesa. O Estado realmente ignora essa situação”, disse Souza.

O presidente da Apas afirmou que a única contribuição do Estado à família do policial na área de Saúde é por meio do serviço chamado de Caixa Beneficente da Polícia Militar (CBPM). Por esse serviço, o policial militar destina 2% de seu salário para que sua família possa utilizar o serviço médico do Hospital Cruz Azul, que, assim como o hospital militar, fica localizado em São Paulo.

“O atendimento médico no local é muito bom também. Mas, imagina o policial com um filho doente de madrugada que tem que viajar quase cem quilômetros para chegar ao hospital. É inviável, não dá né? Só compensa para quem mora perto, na Grande São Paulo, por exemplo. Não há unidades no Interior.” Souza informou que, em todo Estado, o Caixa possui 165 mil contribuintes e a arrecadação chega a ser de R$ 12 milhões por ano. “Com isso, eles conseguem atender nesse único hospital em São Paulo”, afirmou.

A associação que tem sede em Campinas atende policiais da ativa ou não. A abrangência da unidade atinge 23 cidades da região, como Americana, Indaiatuba, Valinhos, Vinhedo, Cosmópolis, Mogi Guaçu e Mirim, entre outras. Ao todo, são 2 mil policiais associados e, se forem somados o número de dependentes, ultrapassa 5 mil associados. Os valores dos planos da associação variam de R$ 70,00 até R$ 318,00 e o associado pode ser atendido em diversos hospitais e clínicas na própria cidade.

Em Campinas, são quatro hospitais credenciados pelo plano de saúde Santa Tereza. "Mas tem policiais que não conseguem pagar, mesmo o valor baixo. Muitos acabam sendo dependentes de planos de saúde da esposa ou então acabam apelando para as longas filas de espera nos hospitais públicos”, disse.