Publicado 05 de Abril de 2013 - 6h00

A exoneração do vice-prefeito de Sumaré, Luiz Alfredo Dalben (PPS), do cargo de presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE), iniciou um racha na aliança entre o partido e a prefeita Cristina Carrara (PSDB).

A exoneração anunciada quarta-feira (3) sinaliza fortes chances de um rompimento entre as coligações que apoiaram a tucana nas eleições. Um novo nome para a presidência do Departamento será divulgado nesta sexta-feira (5).

O comando do DAE foi resultado do acordo político entre a legenda e Cristina, quando venceu as eleições. Com a exoneração, o PPS fica sem nenhum cargo no governo. A decisão da prefeita deverá sofrer os primeiros impactos na Câmara. Luiz Dalben é filho de Dirceu Dalben (PPS), prefeito por duas vezes e presidente do Legislativo de Sumaré. Ele tem sido o principal articulador de sua base governista na Câmara e blindado a prefeita de ações que possam desgastar a sua gestão.

Em entrevista aos jornalistas na tarde de ontem, na sede do DAE, Dalben acusou o ex-prefeito Paulino Carrara (1989-1992), marido de Cristina, de ter influenciado na decisão pela demissão de seu filho. “Foi ele quem manipulou que houvesse divisão nessa aliança. Eu credito tudo isso nas contas do ex-prefeito.” Ele acusou o ex-prefeito de comandar a Prefeitura “por debaixo do pano”, manipulando as decisões de sua mulher.

Por meio de sua assessoria, Cristina informou que a aliança com o PPS não será desfeita por vontade do governo. No entanto, pai e filho afirmam que a situação será discutida com os partidos que integraram a aliança em apoio à Cristina (DEM, PSD, PTC, PRTB e PPS). Ontem, vereadores que compõem a base governista na Câmara já estavam reunidos.

Dalben e Cristina foram adversários políticos por vários anos em Sumaré. O vereador contribuiu com a eleição de José Antonio Bacchim (PT), que governou a cidade por dois mandatos. Rompido com o petista, passou para o lado da tucana nas eleições de 2010, com o acordo de se aliarem na disputa pela Prefeitura.

Em nota, o governo municipal informou que a exoneração foi uma decisão tomada porque “as relações administrativas com o DAE não correspondiam às expectativas do governo, por conta de interferências políticas externas não autorizadas.”

A nota ainda informa que a cidade encontra-se em situação “grave”, consequência da Administração passada que chamou de “desastrosa”, o que não “permite (...) comportamentos políticos em detrimento aos comportamentos administrativos.”

Reclamação

Luiz Alfredo Dalben afirmou que, durante os três meses de sua gestão, nunca recebeu reclamação ou percebeu alguma insatisfação da prefeita. “Ela nunca demonstrou nenhum descontentamento. Repito, foi uma decisão unilateral da prefeita.”

Com ele, ocupam o DAE cerca de 70 comissionados, que o novo presidente poderá exonerar ou manter em suas funções. O vice-prefeito diz que vai fazer o papel de fiscalizador do governo e cobrar a Administração.

As especulações ventiladas nos últimos dias de que a prefeita teria a pretensão de privatizar o DAE também vieram à tona com mais força após a exoneração de Luiz Alfredo. Nos bastidores, há comentários de que sua decisão estaria calcada em articulações para que a concessão do DAE ao setor privado pudesse se viabilizar. A Prefeitura nega qualquer iniciativa neste sentido.