Publicado 13 de Agosto de 2013 - 12h28

Moacyr Castro

AAN

Moacyr Castro

Foi nos carnavais que passaram. Os governos de São Paulo e do Brasil, até prova provada em contrário, não há gigolôs nem cafetinas nos tronos. Pelo menos, ninguém foi visto com cetro e coroa nos palácios do rei Momo ou da rainha Moma. Mas é certo que até em tempos carnavalescos, o governo é o maior parceiro de foliões e folionas. Na cesta básica do tríduo momesco, a cada gole, trago ou transa, o Poder saca a parte dele, no copo, na dose ou na cama. Também nisso metem a mão, e ainda querem que me ufane deste País que me afana.

O governo foi junto com quem levou a cabrocha para um chope. Deixou um copo com vocês e tomou quase dois: 62%, sem ser convidado para mamar a maior parte. Muita gente diz que o tal de Lulla não é lá muito chegado às libações (nem dona Dillma, claro), mas da caipirinha que o povo bebe, as ‘otoridades’ engolem 77%. Pensam que são só vocês dois nos motéis da vida? O governo é louco por uma ‘ménage à trois’, mesmo que não ‘compareça’. Ele fica com 18,75% do preço da camisinha e não se oferece para dividir a conta.

Além de sugarem o trabalho, sugam o divertimento do povo. Mas não era assim. Antes de o Jânio Quadros proibir o lança-perfume, a massa brincava com o ‘lança-perfume de pobre’, também chamado de ‘sangue de boi’. Simples, assustava todo mundo aquela mistura de água, um bocadinho de éter e uma pastilha de permanganato de potássio numa bisnaga. Era espirrar e manchar de roxo a roupa de alguém. O éter evaporava e o roxo se desmanchava. Na falta da pastilha, um comprimido de lactopurga tinha o mesmo efeito corante, não sei por que.

O permanganato fazia muito sucesso, durante o Carnaval e pelo ano inteiro, nas farmácias e na casa da veneranda dona Geni, aí nas bandas da Regente Feijó. Ela cobrava meia dos estudantes, coisa de ‘cincão’ com a cara do Barão do Rio Branco. Quem a conheceu sabe do efeito benéfico e preventivo da pastilha dissolvida num litro d’água (do contrário, nitrato de prata, na Arisfarma, para não cair a chapeleta). Outra que empregava o permanganato era a Marina, lá na estrada velha para São Paulo, na curva da máquina Singer, antes de chegar à Via Anhanguera. Namorava um motorista da Viação Cometa, no tempo do ‘Senemby’. De repente, a molecada pulava a janela da casa. Era o namorado voltando para a garagem. Ele buzinava para saudar a amada, sem saber que avisava a meninada do perigo.

Campinas era uma farra. O permanganato anda proibido, acusado de facilitar o refino de cocaína. Na boca, é um veneno. Na cabeça, era o melhor anticaspa. Não adiantou nada proibir. Com ou sem ele, a cocaína e suas pedras destruíram tudo, até o Carnaval. Imagine dona Geni e Marina usando cocaína e craque. Acabaram até as marchinhas, blocos, ranchos e cordões. Nem o Cometa buzina mais, já reparou?

Pregado no poste: “A ponte que bate no peito é a safena?”