Publicado 28 de Novembro de 2012 - 11h20

Por Agência Estado

Entre diversos trabalhos, ele se notabilizou pela icônica imagem de uma garota refugiada afegã, Sharbat Gula

CEDOC

Entre diversos trabalhos, ele se notabilizou pela icônica imagem de uma garota refugiada afegã, Sharbat Gula

O americano Steve McCurry, de 62 anos, é um homem de gestos discretos, fala mansa, sorriso tímido. Sua estatura levemente baixa contribui para torná-lo quase imperceptível. Talvez danosas para alguns, essas características são utilizadas com desenvoltura por McCurry, um dos mais famosos e respeitados fotojornalistas da atualidade. Entre diversos trabalhos, ele se notabilizou pela icônica imagem de uma garota refugiada afegã, Sharbat Gula, cujos olhos verdes hipnotizantes tornaram célebre a capa de junho de 1985 da "National Geographic".

 

Fotógrafo de guerra, ele prova ser também versátil em seu novo trabalho, a série de fotos do calendário Pirelli, oficialmente lançado nesta terça-feira à noite, no Rio de Janeiro, com a presença da atriz Sophia Loren. Buscando nova vertente para um tradicional projeto, McCurry levou modelos (Isabelli Fontana) e artistas (Marisa Monte) para favelas cariocas além do boêmio bairro da Lapa, onde a profusão de cores quentes serviu de cenário para seu retratos raramente vistos do bas-fond carioca.

 

"Minha intenção não era fazer uma tradicional foto com modelos", contou ele à reportagem. "Busquei inseri-las em um ambiente que, ao contrário do que muita gente pensa, é acolhedor e extremamente fotogênico."

 

De fato, ao ser convidado para montar a versão 2013 do calendário Pirelli - objeto de desejo criado pela empresa italiana em 1964 e, desde então, item disputado por colecionadores -, McCurry decidiu aplicar a mesma filosofia humanista que norteia sua carreira. Assim, todas as modelos escolhidas participam ativamente de alguma ajuda humanitária, seja pessoal ou por meio de uma ONG. Mais: preferiu que nenhuma posasse nua, deixando que a sensibilidade individual se adequasse naturalmente ao do ambiente em que foram clicadas.

 

O resultado é um compêndio sociológico de uma área característica do Rio de Janeiro, exaltada por escritores como Lima Barreto e Marques Rebelo, pulsante na falsa pobreza e com uma beleza pictórica quase explosiva. Encantado, McCurry, que registrou conflitos de países como Afeganistão, Líbano, Camboja, Índia e Tibete, também elegeu como modelos figuras que conheceu na região, como a vendedora de pimenta, a lutadora de boxe, a moça da janela. Flagrantes quase impressionistas da vida real. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Escrito por:

Agência Estado