Publicado 08 de Novembro de 2012 - 18h45

Por Delma Medeiros

Cena da peça Uma História à Margem, com direção de Alex Cassal

Divulgação

Cena da peça Uma História à Margem, com direção de Alex Cassal

Uma viagem pelos movimentos que agitaram o cenário artístico brasileiro dos últimos 40 anos. Esta é a proposta do espetáculo 'Uma História à Margem', autobiografia do poeta carioca Ricardo Chacal. Num exercício arriscado, o artista se retrata duplamente: depois de escrever sobre si mesmo, agora mostra sua trajetória no palco. Mas a tarefa é fácil para ele, que desde o início da carreira se acostumou a dizer seus poemas em público. “Esta é uma prática bem antiga. Mais que escrever, gosto de falar poesia, coisa que faço desde 1975. E a poesia falada aproxima o escrito do teatro”, diz Chacal.

 

Ele conta que lançou sua autobiografia em 2010. “Nela conto sobre meus 40 anos de vida artística no Rio de Janeiro, passando pelos vários movimentos artísticos. Tanto no livro quanto na peça há momentos de relatos, de narração da história e outros encenados”, explica. O livro, que teve de ser condensado em cerca de uma hora e 20 minutos, traz depoimentos de outras pessoas também, o que foi abolido no espetáculo. “Na peça falo tudo na primeira pessoa, intercalando a narração com poemas e músicas que canto à capela.”

Chacal viveu a infância e adolescência na Copacabana da juventude transviada, das turmas de rua, da psicodelia dos anos 60. Para ele, os anos 70 foram os mais marcantes do cenário cultural. “Foi o início de tudo. Era um momento denso da história brasileira, com a ditadura imperando. Foi quando lancei meu primeiro livro. A poesia marginal era uma coisa de resistência ao governo militar. Não explícita, mas de uma forma divertida. Falar poemas em público era um jeito de buscar vida onde havia morte, de fazer piada daquela situação e não embarcar naquele clima soturno.”

Contrapartida libertária

Já os anos 80, para ele, foram uma espécie de contrapartida libertária. “Foi o período do Circo Voador, do Asdrúbal Trouxe o Trombone, da Blitz. Tudo que era proibido nos anos 70 virou consumo nos 80. O movimento underground veio à tona com as bandas de rock”, avalia. “A cultura precisava de uma renovação, de ar novo depois de 20 anos de sufoco com a ditadura”, afirma.

'Uma História à Margem' é um monólogo teatral que atravessa a história de Chacal e oferece um registro saboroso e intimista da efervescência da cultura marginal das últimas décadas. Em cena, ele fala, declama, pula, dança, canta, usando alguns poucos elementos cênicos para levar o público a mergulhar nessa experiência que transita entre a ficção e a realidade. “Para o mundo acadêmico sou um poeta descartável, de poucos recursos e baixo repertório. Para o mundo pop, um escritor, um intelectual, um crânio. E todos têm razão. Menos eu”, fala Chacal. No palco, o artista que sempre esteve “no olho do furacão”.

Serviço

Uma História à Margem, monólogo de Alex Chacal

Nesta sexta-feira (9), às 20h

No Sesc-Campinas (Rua Dom José I, 270/333 - Bonfim) - Campinas

Ingressos: R$ 8,00 (inteira), R$ 4,00 (meia e usuários matriculados no Sesc) e R$ 2,00 (comerciários matriculados)

 

Escrito por:

Delma Medeiros