Publicado 08 de Novembro de 2012 - 13h53

Por Delma Medeiros

Professor Beto Regina durante aula de tecnicas circense na associação Abamba

César Rodrigues/AAN

Professor Beto Regina durante aula de tecnicas circense na associação Abamba

O que se temia aconteceu. Depois de 15 anos trabalhando com formação artística de adolescentes de famílias de baixa renda, a Associação de Benfeitores e Amigos dos Meninos Bailarinos Atores (Abamba) encerra suas atividades. De acordo com o coreógrafo e idealizador do projeto, Beto Regina, a entidade, que se manteve em ação graças ao empenho de uns poucos colaboradores, chegou ao ápice de sua crise econômica este ano. “Não dá mais como segurar. Até dezembro temos que entregar o barracão onde funciona a Abamba por causa do aluguel abusivo”, explica Regina, afirmando não saber ainda se o projeto terá continuidade. A Abamba tem um custo mensal de cerca de R$ 10 mil, sendo R$ 2,6 mil somente de aluguel do imóvel.

“Estamos analisando várias possibilidades. Algumas academias nos chamaram para atuar em suas dependências. Mas ainda não tem nada resolvido. Estamos estudando como fazer em outro espaço, teremos de nos adaptar a um novo local, outra forma de atuar, talvez com necessidade de cobrança de mensalidade, o que foge da proposta inicial. Por enquanto está tudo muito incerto”, lamenta. Regina explica que se trata de um projeto caro. Além das aulas gratuitas, a Abamba oferece passe de ônibus, lanche aos alunos e cestas básicas para as famílias, tendo ainda que arcar com as despesas de aluguel, Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), telefone, funcionários e ajuda de custo aos professores voluntários.

“E não temos praticamente nenhuma entrada de recursos, só saídas. Este ano, fomos desfiliados do Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS) devido a mudanças de critérios para classificação das instituições e perdemos até a pequena verba que recebíamos como entidade assistencial. Exceto por alguns poucos sócios-contribuintes, não temos nenhuma fonte de receita.”

A última tentativa de levantar recursos foi por crowdfunding, um sistema de captação de recursos pela internet, via plataforma Soul Social, mas não funcionou. “Nossa expectativa era de conseguir entre 400 e 500 contribuintes, que poderiam colaborar com quantias de R$ 10,00 a R$ 1 mil, mas conseguimos apenas 17 participantes. É muito frustrante”, conta. “É um sonho que virou pesadelo e não vejo a hora de acordar.”

Outras ações como bazar, almoço e/ou jantar beneficente também foram alternativas para buscar recursos, mas esses são eventos pontuais que não resolvem o problema a longo prazo. “Nosso objetivo desde o início foi contarmos com uma quantidade boa de sócios-contribuintes que garantissem o custeio básico da entidade. Assim, essas ações pontuais poderiam ser aproveitadas para a produção dos espetáculos. Mas isso não funcionou.”

Mercado de trabalho

Nesses 15 anos de atividade, completados em agosto, passaram pela Abamba em torno de 400 meninos, alguns permaneceram até a formatura e outros saíram no meio do processo para tentar outras atividades ou buscar novas academias de dança. Desses, pelo menos dez estão empregados em companhias profissionais de dança.

Entre os exemplos de sucesso estão Valdo Malak, há anos anos atuando como bailarino profissional na Companhia de Dança do Amazonas; Elisandro Carneiro, contratado pela paulistana Cia Druw, de Miriam Druwe; Alexandro Barranco, que está no Balé Jovem de São José dos Campos; e Clay Ferreira, que já trabalhou com Ivaldo Bertazzo e hoje é professor de street dance em Campinas e Paulínia, para citar alguns.

Outros três que tiraram o DRT (registro profissional) este ano estão encaminhados. Gabriel Donizeti, de 20 anos, foi contratado para dançar noShow da Virada, daGlobo; Renan Vilela, de 19 anos, passou uma semana como convidado do Balé de Londrina e recebeu elogios do diretor da companhia, que afirmou que ele integrará o elenco em 2013; e Luiz Felype, de 24 anos, que está cotado para integrar o grupo de Balé de Goiânia (GO), além de participar este ano do espetáculo de fim de ano da companhia Olmos Ballet, em Campinas.

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Delma Medeiros