Publicado 07 de Novembro de 2012 - 10h12

Por Marita Siqueira

Mauricio Beltramelli, mestre cervejeiro, é campineiro e proprietário do Bar Brejas, no Cambuí: livro é dedicado aos apreciadores da cerveja, não para especialistas

Leandro Ferreira/AAN

Mauricio Beltramelli, mestre cervejeiro, é campineiro e proprietário do Bar Brejas, no Cambuí: livro é dedicado aos apreciadores da cerveja, não para especialistas

Embora companheira indispensável dos botequeiros e pilotos de churrasco, poucos apreciadores valorizam a nobreza da cerveja. Mais do que ingerir um líquido hipergelado no efervescente clima tropical, compreender o universo da loirinha pode levar à embriaguez histórica e cultural. Para tanto, serve também a morena, mais intensa, ainda assim discretamente doce e com perfume de malte queimado. Em terras brasileiras, a pilsen pode ser a preferência nacional, porém, outros tipos também são bem-vindos.

Mergulhado nesse universo etílico há quase dez anos, o mestre cervejeiro campineiro Mauricio Beltramelli selecionou 150 rótulos que estão reunidos no livro Cervejas, Brejas e Birras — Um Guia para Desmistificar a Bebida Mais Popular do Mundo (Editora LeYa, 320 págs., R$ 49,90), destinado a apreciadores, não especialistas. A obra, rica em ilustrações, será lançado hoje, às 19h, na Cervejaria Empório Alto dos Pinheiros, em São Paulo; e amanhã, no mesmo horário, no Bar Brejas, em Campinas, do qual é o proprietário.

Além das experiências adquiridas pelo autor mundo afora, as páginas do livro deleitam com curiosidades. Por exemplo: quem “descobriu” a cerveja foram mulheres de caçadores na Mesopotâmia — e por acidente. Quando os homens saíam para caçar, elas ficavam encarregadas de estocar o controlar os alimentos. Mas, um dia, grãos de malte foram deixados na chuva e, daí, nasceu o processo de fermentação que originou a cerveja.

Há também um capítulo destinado aos Mitos e Verdades, como o da “água encantada” — que diz que a água de diferentes regiões interfere na qualidade do produto — e se cerveja causa mesmo uma pancinha. O livro ainda mostra a evolução da bebida e dá dicas de degustação e harmonização. Em linhas diretas e nas entrelinhas, o autor questiona o fato de a cerveja ser considerada uma bebida menos nobre do que o vinho.

O primeiro gole

Beltramelli despertou para a bebida em 2000, ao apreciar uma Chimay Bleue, cerveja belga feita por monges católicos e uma das melhores cervejas do mundo. E foi ali, bebendo em frente ao Panteão (em Roma, na Itália), que ele se apaixonou. Advogado de formação, passou a trabalhar com as leis durante o dia e aos estudos sobre a arte cervejeira à noite. Em decorrência do aprendizado, criou, em 2004, o site Brejas. “Estudei fazendo o site. Advogava e quando encerrava o trabalho comprava duas cervejas de rótulos distintos e ia para casa degustar”, diz. “Aqui, quando a gente fala que estuda ou trabalha com cerveja, as pessoas brincam, tiram sarro, mas lá fora existem cientistas. A cerveja está começando a ser respeitada no Brasil.”

No final de 2010, abandonou definitivamente o “juriquês” para falar a língua da breja. Formou-se mestre em estilos de cerveja pelo Siebel Institute, em Chicago (EUA), e sommelier de cervejas pela Doemens Akademie de Munique (Alemanha). Aliás, boa parte das ilustrações vieram da Prefeitura de Munique. “Quando a editora me convidou para fazer o livro, topei com a condição de escrever do meu jeito e liberdade para comentar cada um dos rótulos”, afirma. Das 150 marcas comentadas, algumas nem existem no Brasil. “Também falo de viagens e locais onde podem ser encontradas.”

 

Menos e melhor

Segundo Beltramelli, na medida em que o paladar é aguçado com conhecimento, inclusive sobre a história da cerveja, passa-se a prezar pela qualidade. “Passei a apreciar produtos melhores, não necessariamente mais caros. Vale o custo-benefício. Beber menos e melhor.” O cervejeiro acredita que o fato de o País ter clima quente não impede que as pessoas degustem bebidas mais encorpadas. “A pilsen, por exemplo, foi inventada na República Tcheca, onde até hoje é bastante consumida, seja no Verão ou no Inverno. Gosto também dessas tradicionais de boteco, mas é bom saber que esse é só um estilo, têm outras alternativas”, diz.

Escrito por:

Marita Siqueira