Publicado 06 de Novembro de 2012 - 11h32

Júlio Andrade no filme Gonzaga

CEDOC

Júlio Andrade no filme Gonzaga

Júlio quem? Andrade. Embora seja um dos atores brasileiros mais apreciados da nova geração, com talento provado em cinema, teatro e TV, o gaúcho Júlio Andrade talvez tenha dificuldade para se fazer (re)conhecer justamente pela forma como 'cola' aos mais diferentes personagens. Fez "Cão Sem Dono" com Beto Brant, é o Gonzaguinha de "Gonzaga - De Pai pra Filho", de Breno Silveira, em cartaz nos cinemas, e em breve será visto como um crente em Éden, de Bruno Safadi. Na TV, entre outros personagens foi o mordomo Arthurzinho de "Passione", novela de Sílvio de Abreu.

 

O diretor Silveira testemunhou como a mulher e os filhos de Gonzaguinha reagiram à interpretação de Andrade numa sessão de "Gonzaga" para a família, no Rio. A mulher teve violenta comoção. Os filhos não conseguiam entender como, mais que a semelhança física, Andrade conseguiu incorporar a singularidade de Gonzaguinha. Certos gestos mínimos. A arrogância que, nele, era uma forma de defesa. "Gonzaga" não está sendo o estouro de bilheteria que Silveira e a empresa Conspiração, em parceria com a Downtown e a Paris, esperavam para seu filme grande (e por que não grande filme?) sobre a difícil relação entre Gonzagão e Gonzaguinha. O filme vai muito bem no Nordeste, e não tão bem no Sul Maravilha, mas em dez dias já atingiu 566 mil espectadores.

 

Existem explicações para o relativo fracasso em São Paulo - o filme estreou no fim de semana do segundo turno da eleição para prefeito e em plena Mostra de Cinema de São Paulo. Como se não bastasse a concorrência do maior evento de cinema na cidade, ainda havia o novo James Bond, "007 - Operação Skyfall", com sua fama (justificada) de ser o melhor filme da série. Silveira ainda aposta numa reação do público em São Paulo, e lembra que seu megahit "2 Filhos de Francisco" já havia estourado no País inteiro, quando o público paulista (e paulistano) começou a despertar para a saga de Zezé Di Camargo e Luciano.

 

"Gonzaga" tem tudo o que Breno Silveira gosta - emoção, música, uma história de pai e filho. Gonzaga, o rei do baião, teve sempre uma relação difícil com o filho. O filme conta a história de uma reconciliação e se o baião dá o tom de boa parte do relato, a apoteose é com Gonzaguinha - "Viver, e não ter a vergonha de ser feliz...". Como se conta uma história dessas? Nem dez filmes dariam conta de Gonzagão, diz o diretor. Ele apostou na imagem, na trilha - e no elenco. Gonzagão é interpretado por Land Vieira, Chambinho do Acordeon e Adélio Lima. Gonzaguinha também possui três intérpretes, mas, por melhores que sejam o garoto e o adolescente - Alison Santos e Giancarlo di Tommaso são bons -, você vai ficar siderado com Júlio Andrade.

 

"Que cara é esse?", perguntou o próprio Silveira quando Júlio Andrade foi fazer o teste. A escolha dos atores, tanto para Gonzagão quanto Gonzaguinha, foi um processo difícil. Júlio tinha uma amiga que era amiga da produtora. Ela o apresentou, Márcia Braga ficou impressionada e o encaminhou para o teste. Júlio Andrade jogou pesado. Incorporou o personagem e entrou no set como se fosse ele, a arrogância inclusive. Silveira não acreditava no que via (e ouvia). Só descobriu depois que Andrade tinha uma longa história com Luiz Gonzaga Jr. O pai de Júlio era devoto de Gonzaguinha. Seu coração explodia a cada nova música do cantor e compositor. Júlio sabia todas, de tanto ouvir em casa. Seu pai quase morreu de emoção ao saber que o filho ganhara o papel. 

 

GONZAGA - DE PAI PRA FILHO

Direção: Breno Silveira. Gênero: Drama (Brasil/2011, 120 minutos).

Classificação: 12 anos.