Publicado 05 de Novembro de 2012 - 11h26

Por Maria Teresa Costa

Sino instalado no edifício centenário da Delegacia Seccional da Polícia e que servia para marcar as horas: exemplo de preciosidade

Leandro Ferreira/AAN

Sino instalado no edifício centenário da Delegacia Seccional da Polícia e que servia para marcar as horas: exemplo de preciosidade

Um valioso acervo artístico de pinturas, esculturas, móveis, arte sacra e tapeçaria espalhado pelos órgãos estaduais em Campinas será inventariado e integrará um catálogo eletrônico único do patrimônio artístico do Estado de São Paulo. O inventário é parte do Programa Patrimônio em Rede e pretende promover o conhecimento dos objetos para que servidores e comunidades locais possam conhecê-los, valorizá-los e preservá-los.

“A obra servirá como guia de consulta para a inserção de dados do programa Patrimônio em Rede”, disse a coordenadora-geral do programa, Ana Cristina Carvalho. Ana também é curadora do Acervo Artístico Cultural do Palácio dos Bandeirantes. “A ideia é identificar, catalogar e integrar o acervo histórico-cultural de todas as unidades do Estado, em rede, numa estrutura horizontal, com compartilhamento das informações”, disse.

Para ela, “além da identificação, a rede de gerenciamento propicia uma revisão dos conceitos, com estrutura de valores, o que valoriza o patrimônio público”. Para fazer o levantamento e a identificação das peças, os servidores interessados participarão de uma oficina amanhã, das 8h30 às 17h, no Hotel Premium Norte, coordenada pelo Centro de Estudos e Pesquisas de Administração Municipal (Cepam).

Grande parte das obras espalhadas pelos órgãos estaduais é desconhecida da cidade, porque estão em gabinetes ou salas e sem divulgação de sua existência. Por exemplo: o sino que existe no edifício centenário da Delegacia Seccional de Polícia e que servia para marcar as horas. Ele está situado logo após a entrada do prédio, depois do primeiro lance de escada. Quando o edifício foi restaurado, o sino recebeu um polimento especial. Além disso, a delegacia tem um acervo de pinturas, retratando os delegados que passaram no comando da Polícia Civil de Campinas. O mais antigo deles é de 1896, segundo Orlando Rodrigues, que trabalhou no levantamento histórico do prédio.

A escola Carlos Gomes é outro exemplo. Seu estilo neorrenascentista utiliza uma série de elementos decorativos e de composição, além de alguns ornamentos como o relógio e o gradil da entrada principal. Também na entrada há pintura mural importante, sem contar os móveis austríacos que resistem ao tempo, os vitrais sofisticados e pinturas do artista italiano Carlo De Servi, que tem, inclusive, obras expostas no Museu do Ipiranga e em igrejas do interior paulista. Isso sem falar na decoração, em que se sobressaem aspectos do estilo art nouveau.

A Escola Estadual Culto à Ciência também tem pinturas retratando antigos diretores, além de móveis que remontam o início dessa escola. Há quadros, esculturas e outros objetos no Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), Instituto Biológico (IB), escolas, escritórios.

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Maria Teresa Costa