Publicado 29 de Novembro de 2012 - 5h00

Por Marita Siqueira

Banda pernambucana Os Sertões

Divulgação

Banda pernambucana Os Sertões

“O sertão está por toda a parte e dentro de nós.” Com a frase do escritor Guimarães Rosa (1908-1967), Clayton Barros indica a sensibilidade artística que o fez se juntar a Deco Trombone, da banda Ska Maria Pastora, Rafael Duarte (voz e baixo), do grupo Rivotrill, e Perna (bateria), da banda Radistae, para formar o grupo Os Sertões. Em um ambiente descontraído e despretensioso, os músicos prepararam o álbum de estreia, intitulado 'Idade dos Metais', com 11 canções próprias, além de versões para composições de Zé Ramalho ('Galope Rasante') e Les Baxter ('Wheels'). O disco será lançado nesta quinta-feira (29), em Campinas, na Casa São Jorge.

Embora o nome Os Sertões remeta a uma sonoridade de viola e rabeca, ou de sanfona e pandeiro, o grupo parte de uma configuração básica de formato nem tão comum. Tem violão, guitarra, baixo, bateria e trombone e outros sopros com convidados. O som ora evoca a tensão urbana, ora a tranquilidade do sertão. O “sertão plugado” sugere uma herança do grupo Cordel do Fogo Encantado, do qual Clayton Barros foi um dos fundadores e atuava com vocalista, violonista e guitarrista.

Com o fim do Cordel, em 2010, Clayton ficou alguns meses “reenergizando” sua ideia. “Foi preciso esse hiato, mas ele não poderia ser muito longo. Trago a experiência de dez anos com o grupo, mas que fazer algo diferente”, diz. Assim, ele volta dois anos depois com 'Idade dos Metais', recheado de composições dele e com singular sonoridade. Guiado pelos metais, como o título indica, o disco traz uma miscelânea sonora alinhada pelo sopro. “Quando começamos a tocar, sentimos que o sopro era forte”, diz.

Boa parte das músicas foi composta quando ainda estava no Cordel, porém, nunca as tinha gravado. “Cordel sempre foi meu foco principal, mas também compunha músicas que não cabiam no Cordel e, agora, no Sertões, podem ser trabalhadas”, afirma.

Ele conta que em 2006 conheceu Rafael Duarte, com quem trocava ideias musicais que puderam ser concretizada neste ano com Os Sertões. “Senti a necessidade de fazer algo diferente e Rafa trouxe os outros meninos. No início não havia pretensão de virar banda. A ideia é manter o núcleo de músicos e não engessar a sonoridade.”

A primeira música de trabalho é 'Do Zero'. Com apenas dois acordes e uma letra um tanto “futurista”, concebe uma harmonia bastante própria. “Não sabíamos como seria, fomos nos descobrindo a cada dia em que tocávamos juntos. 'Do Zero' é uma autoinjeção de ânimo, é um estímulo para construir um novo ciclo, sem reduzir a velocidade”, explica Barros. No mesmo sentido de recomeço, foi feita a releitura de 'Galope Rasante', de Zé Ramalho. “Diz para levantar a cabeça. Só mudou o veículo, a estrada continua a mesma.”

A banda é recente, todos os integrantes são experientes músicos da cena recifense. Em 2011, eles realizaram uma miniturnê por Juazeiro do Norte, no sertão do Cariri, e em Sousa, na Paraíba, como parte das atrações do 5o Festival Rock Cordel, no Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBN) de cada uma das regiões citadas.

Serviço

Show da banda Os Sertões

Nesta quinta-feira (29), às 21h30

No bar Casa São Jorge (Av. Santa Isabel, 655 - Barão Geraldo) - Campinas. Telefone: (19) 3249-1588

Couvert artístico: R$ 15,00 (até as 21h) e R$ 20,00 

 

Escrito por:

Marita Siqueira