Publicado 11 de Novembro de 2012 - 5h00

Moacyr Castro

AAN

Moacyr Castro

Entre o calendário dos Maias e a família Maia, de Campinas, em primeiro lugar, fico com a do patriarca Adalberto Maia e a matriarca Dona Berta. Fizeram e fazem mais por Campinas do que essa corja que inunda a cidade há anos e, espero, não esteja mais aqui a partir de 21 de dezembro, quando não haverá mais mundo, se Deus quiser. Os Maias d’antanho estavam certos? Claro, nem só os Maias honraram e honram Campinas, mas acho que a previsão daquele povo traz escondida a certeza que Campinas e seus campineiros daqui e de fora serão protegidos. E sem os pobres de espírito e de honestidade, esta cidade renascerá, como a Fênix que enobrece nosso brasão e nossa gente. Graças a Deus, não somos mais “Campinas de Mato Grosso (do Sul)”, como já fomos, saramos, e recaímos, atacados sorrateiramente pelo que de pior havia por lá.

 

Agora, é esperar que, ao amanhecermos após o fim do mundo, a cidade e seu povo de bem acordem ao som da Alvorada, do Guarani – e da Ponte Preta, também, vá lá. Que tenham desaparecido os que tentaram destruir o Bugre e os que torcem pela extinção da “Macaca” – querendo ou não, ela é nossa ancestral mais ilustre. Respeitemos: a torcida da Ponte, a mais antiga do Brasil, é a mais legítima descendente da “Macaca”, enquanto o resto da Humanidade, dizem, vem do macaco (ou do gorila) e da Fay Wray ou Naomi Watts.

Após o anunciado fim do mundo, não é bom vermos por aqui políticos que querem tomar do povo R$ 11 milhões cada um em quatro anos, sem ao menos consultar o povo – obrigado a pagar essa conta escorchante. Em nome da democracia -- aquela que dá oportunidades iguais para todos -- que saiam do mapa servidores públicos sem concurso e só voltem depois de aprovados em exames de capacitação iguais para todos. Que padrinhos, afilhados, teúdas, manteúdas, udos e udas, concubinos e binas, traficantes, charlatães e tãs, estupradores e doras, corruptos e uptas, vadios desapareçam correndinho dos podres poderes, porque após o fim do mundo, teremos polícia e a justiça ilibadas e concursadas. Candidato derrotado pela sociedade também não poderá ser compensado com cargo público. Ah! A Delegacia de Vadiagem e a de Jogos e Costumes ressuscitarão. Haverá pedágio para entrar no Itatinga e nos motéis – preço: uma ou mais camisinhas. A camisola está dispensada.

“Otoridades” públicas, eleitas ou não, só poderão circular em transporte coletivo. Seus familiares serão atendidos exclusivamente em hospitais e prontos-socorros da municipalidade e seus parentes e afins só estudarão em escola pública, ou seja, a que as “otoridades” garantem à população. É vedado seu acesso a estabelecimentos de ensino e nosocômios particulares. (Já achou no dicionário o que é “nosocômio”, oh insipiente elemento? Então, agora vá procurar o que é “insipiente”.) Todo preso só se livrará das grades depois de fazer, corretamente, a análise sintática dos livros do Zé Sarney e decorar “Os Sertões” – já aviso que não é obra de nenhuma dupla sertaneja. (Cá entre nós, eles vão preferir prisão perpétua... Melhor pr a nós.).

Pregado nos postes: “Campinas, cidade limpa!”