Publicado 25 de Novembro de 2012 - 5h00

Vinho branco

Divulgação

Vinho branco

Assunto chato, mas eu estava devendo. Vamos lá: o pedido de salvaguardas contra os vinhos importados, que provocou uma cisma inédita entre produtores brasileiros e importadores, arrastando para o debate o apreciador de vinhos, terminou sem mortos e com poucos feridos. 

Para quem não acompanhou a peleja, um resumo: setores da indústria brasileira, representados pelo Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), pela União Brasileira de Vitivinicultura (Ibravin), pela Federação das Cooperativas do Vinho (Fecovinho) e pelo Sindicato da Indústria do Vinho do Estado do Rio Grande do Sul (Sindivinho), entraram com pedido de salvaguardas ao vinho nacional junto ao Ministério do Desenvolvimento.

As medidas protetoras, que na prática iriam encarecer e limitar o vinho importado por aqui, receberam severas críticas, gerando até tentativas de boicotes em restaurantes, lojas e bares. Não passaram, claro. Mas também não foram engavetadas. Depois de espinhosa negociação envolvendo também o outro lado, representando a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), a Associação Brasileira de Exportadores e Importadores de Bebidas (Abba) e a Associação Brasileira de Bebidas (Abrape), chegou-se a um meio termo interessante.

A ideia geral é tonificar o consumo per capita do vinho nacional e importado de 1,9 litro para 2,5 litros por ano até o fim de 2016.

No mesmo período, haverá esforço conjunto para dobrar o mercado de vinhos finos brasileiros, o que significa atingir 40 milhões de litros por ano. Já em 2013, a meta é de 27 milhões de litros vendidos, o que representa 35% a mais sobre as perspectivas para este ano. Para isso, uma das medidas é reservar pelo menos 25% da oferta da bebida nos supermercados aos rótulos verde e amarelo (hoje, a média é de 10%).

Em lojas especializadas e outros estabelecimentos, a participação será de 10%, no mínimo. Os importadores também garantiram que não vão comercializar vinhos a preços absurdamente baixos. Eles defendem US$ 12 por caixa de 12 garrafas, enquanto os produtores querem US$ 24.

Por ora, a paz está selada. O que é uma excelente notícia, pois, com as festas de fim de ano, nossos elogiados espumantes são boas pedidas. Como estamos cansados de saber, esse estilo de vinho é a grande especialidade das Serras Gaúchas, o que explica a variedade de rótulos para igualmente variados bolsos, produzidos na região. E vamos tocar em frente. Saúde!