Publicado 10 de Novembro de 2012 - 5h00

JULIANNE CERASOLI

Cedoc/ RAC

JULIANNE CERASOLI

A grande novidade no circuito de Interlagos é a área de escape asfaltada no S do Senna. Grande besteira também. O motivo é aumentar a segurança, mas até que ponto vale a precaução quando isso pode afetar a disputa no ponto de mais emoção do circuito?

As áreas de escape asfaltadas salvaram a corrida de muitos ao permitirem o rápido retorno à pista após um erro, mas também causaram confusão. O regulamento não permite que o piloto obtenha vantagem — de tempo ou ultrapassagem — ao colocar as quatro rodas fora da linha branca que delimita a pista. Por outro lado, o asfalto é convidativo para que o piloto, caso seja forçado para fora do traçado, continue acelerando e volte com tudo.

Isso tem dois resultados: aumentar o risco de colisão, como aconteceu com Perez no último GP, causando um strike que tirou Grosjean e Webber da prova, e presentear — ou, na melhor das hipóteses, deixar de punir — pilotos que cometem mais erros.

Quando só havia brita, as pistas eram menos seguras? Sim, isso é inegável. Porém, a certeza de que seria difícil se recuperar fazia os pilotos pensarem duas vezes. O prêmio era apenas para quem forçava o mais perto possível do limite, sem superá-lo.

O problema da brita do ponto de vista da segurança é que, além de servir como rampa de lançamento em alguns casos, faz com que o piloto vire passageiro. Por isso, a nova tendência em termos de segurança é permitir alguma reação, como enfiar o pé no freio ou mudar a trajetória. E, nesse caso, o asfalto não pareceria má ideia. No entanto, na prática, tem trazido mais problemas que soluções.

Seria esse um caminho sem volta? Acredito que não. Se a área de escape fosse de qualquer material que gerasse menos aderência que o asfalto, os pilotos deixariam de ganhar vantagem e os comissários não teriam que lidar com a imprudência de quem tenta ultrapassar por fora da linha.

Isso tem sido feito em novos circuitos, com grama artificial e uma espécie de dormente. Da mesma forma, pistas com menos áreas de escape e mais brita, como Suzuka, não têm proporcionalmente mais acidentes graves. Afinal, a segurança é tão grande nos carros e nas barreiras (hoje feitas com material flexível), que a área de escape perdeu importância.

Nesse contexto, é triste pensar que o grande ponto de ultrapassagem de Interlagos agora premie barbeiragens. Só fica a torcida para que, naquele que deve ser o palco da decisão do campeonato, a grande discussão não seja se um piloto X estava ou não estava dentro da pista. E termine na sala dos comissários.