Publicado 06 de Novembro de 2012 - 5h00

JOSÉ TRASFERETTI

Cedoc/ RAC

JOSÉ TRASFERETTI

A filósofa Hanna Arendt cunhou a expressão “banalização do mal” ao analisar o seu “Eichmann em Jerusalém”. O termo banalização tem sido utilizado para explicar diversos comportamentos sociais. O dicionário Aurélio assim define o termo “corrupção”: “ato ou efeito de corromper; decomposição; putrefação; devassidão; depravação; perversão; suborno; peita”. Sem dúvida palavras fortes, que denotam praticas sociais inerentes ao nosso cotidiano.

A banalização significa que estamos nos “acostumando” a este tipo de comportamento, ou seja, estes comportamentos estão se tornando trivial, corriqueiro, vulgar. A sociedade convive com eles como se fossem fatos comuns a qualquer ambiente social. O chamado “jeitinho brasileiro”, têm sido invadido por expressões como: “rouba mais faz”, “rouba mais divide”, e tantas outras. Parece até que está ocorrendo uma inversão de valores, ou seja, aquele comportamento que deveria ser rechaçado pela sociedade como algo negativo tem sido elogiado e as vezes até defendido.

A corrupção invadiu o nosso existir, desde o pequeno comerciando, passando por profissionais liberais, até altos escalões da sociedade civil e dos governos tem sido dominado por práticas corrosivas. É verdade, que o Brasil tem avançado economicamente e tecnologicamente. O mundo da saúde e das comunicações, por exemplo, tem alcançado níveis de excelência, mas enquanto persistir o desvio da verba publica e as praticas de corrupção continuarem sustentando o comportamento moral de milhões de brasileiros nosso crescimento continuará fraco.

Alem das tecnologias de ponta é necessário refazer a conduta moral, criar novos valores e não deixar impune àqueles que burlam a lei e o Estado Brasileiro. Nestas ultimas eleições chamou-me a atenção a quantidade de votos que pessoas consideradas “fichas sujas” receberam em nosso país. Penso que o Brasil precisa ser bombardeado por uma revolução moral, no contexto de uma verdadeira educação dos valores. Infelizmente os valores propagados pelo capitalismo mundial têm invadido todos os ambientes sociais. O mundo do mercado, do consumo, das compras tem sido venerado por todos, tornando inclusive um objeto de devoção. Alguns autores falam que o mercado tem si tornado religioso, uma vez que prega a devoção (palavra religiosa) a seus produtos e ofertas.

As pessoas estão se acostumando a esses comportamentos e não tem mais indignação. Indignar significa não aceitar, criticar, rechaçar, questionar. A atitude de indignação se dá por meio de uma educação moral consistente. Penso que a corrosão moral que assola nosso país deve ser um desafio para todas as instituições educativas, formais ou não. A família, a escola, a universidade, as ONGs, os parlamentos, e tantos outros espaços democráticos e educativos.

Infelizmente o Brasil vive uma crise dos agentes (pai, mãe, professor, padre, político, medico, etc) e das instituições morais ( família, escola, igreja, ONGs, etc), tornando-se mais difícil a educação moral do nosso povo. Precisamos discutir valores nas comunidades, nas escolas, nas Universidades. Em meio a tantas noticias de corrupção cabe ressaltar o papel de muitas Câmaras de vereadores e o STF no caso do julgamento do chamado “mensalão”. Cabe ressaltar ainda as discussões em torno da chamada “ficha suja” e o posicionamento da Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil para este projeto fosse aprovado e colocado em prática. O Brasil é um país muito bonito, com uma natureza exuberante e um povo com imensos valores de simpatia, cordialidade e tantos outros, mas ainda convivendo com práticas antigas.

A ignorância do nosso povo ainda faz com que pessoas que possuem “fichas suja” sejam elogiadas, aplaudidas e até eleitas quando não se transformam em herói nacional. A educação dos valores e a transformação da cultura é um dos grandes desafios do nosso tempo. Se o Brasil quiser realmente se tornar grande, crescer economicamente não pode em hipótese alguma abandonar a educação dos valores.