Publicado 27 de Novembro de 2012 - 5h00

Jose de Nadai

CEDOC

Jose de Nadai

Nessas últimas semanas temos sido implacavelmente bombardeados por noticiário impiedoso procedente do Oriente Médio sobre o recrudescimento do conflito Israel-palestino (Hamas). Mísseis disparados por ambos os lados cruzam chispando, os céus daquela terra. Contam-se dezenas de mortos entre palestinos e também alguns israelenses. Do lado palestino as vitimas são, sobretudo civis, mulheres e crianças. Inclusive, uma família que estava dentro de sua própria casa. Seis pessoas.

Sabe-se que Israel tem condições econômicas e técnicas de fabricar suas armas, até mesmo atômicas e se vierem a faltar, haverá, de pronto, solícitos fornecedores. O Hamas, não. Contudo, deve ser municiado por seus interesseiros vizinhos.

Causa-me profundo pesar e dor, quando vejo imagens de pais e mães palestinas carregando desoladas nos braços suas crianças vitimas dessa violência cruel e estúpida. Ouço seu lamento: “Acaso haverá dor semelhante à minha dor?”.

Recordo-me, então, da homilia do bispo do Patriarcado de Jerusalém, quando, em Abril deste ano, dizia para nosso grupo de peregrinos à Terra Santa: “Infelizmente, não haverá paz para nossa terra!” O que muito nos surpreendeu! Na verdade o bispo de origem palestina, nascido em Belém, conhece muito bem a fragilidade dos acordos, baseados em interesses de partidos e grupos, pressionados por forças externas que não levam em conta o Bem Comum da população, nem a dignidade de suas vidas. Felizmente, concluiu: todavia, nós cristãos palestinos e hebreus, alimentamos a fé e a esperança que um dia “justiça e paz se abraçarão”.

Imagino que a justiça consista no reconhecimento do direito de os palestinos constituírem seu Estado nacional, como Israel o é desde 1948.

Por outro lado, também nós paulistas estamos atemorizados pela onda de violência que tomou conta da capital e extravasa por outras cidades do Estado. O número de vítimas (homicídios) desse período já ultrapassa de longe o do recente conflito israelense-palestino. Apesar de o governador cândida ou cinicamente consolar-se e querer consolar-nos que o índice de homicídios em outros estados da Federação é muito maior. Temos que clamar por paz e por respeito!