Publicado 25 de Novembro de 2012 - 5h00

É possível ser amada e bem-sucedida

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É possível ser amada e bem-sucedida

Decididamente, é difícil demais ser mulher hoje. Ainda bem que dobrei os 50 e não ando ligando muito se não me amarem, já que me amo o suficiente – e bem mais do que quando era jovem. Lei da compensação, só pode ser. 

Mas digo que é muito difícil ser uma mulher vencedora no amor/sexo atualmente. Começando pelo fato de que os papéis de homem e mulher estão completamente misturados, quando não invertidos. Chamem-me de jurássica (sou mesmo!), só que não resta dúvida de que era mais simples antigamente.

Tomemos como exemplo uma noite de amor, a primeira. O sujeito, encantado depois das horas ardentes, telefonava no dia seguinte infalivelmente. E mandava flores, dúzias delas – havia até os que enviavam flores diariamente, por vários dias. Mesmo os que não podiam com esse tipo de extravagância faziam questão de marcar a deferência com que tinham em conta a moça oferecendo um singelo buquê ou uma única flor. O importante era o gesto, porque traduzia apreço, desejo e encantamento.

E isso valia para uma noite de amor standard, daquelas que poderiam nem evoluir para algo mais sério. Se fosse esse o caso, era um tal de se desdobrar para imaginar e descolar presentes tão originais quanto valiosos para a amada. Valia tudo, de joias a peças artesanais raras, de poemas a caixinhas de música, de cortes de seda e perfumes a antiguidades.

Com o tempo, a moça, sentindo-se uma rainha, aceitava as propostas mais ousadas do moço, topava casar-se, quando não juntar-se a ele ou fugir. Até chegar a esse ponto, no entanto, eram presentes, gestos e provas de amor sem fim.

O tempo passou, as mulheres conquistaram direitos, tornaram-se independentes para tudo e perderam a capacidade de inspirar tais regalias. Não sei bem a razão, mas elas reclamam à beça sempre que engatam um namoro novo.

Para começar, dizem que não têm mais a liberdade de esperar amadurecer qualquer tipo de sentimento, pois isso seria considerado careta num mercado competitivo de modernas cachorras.

Assim, as mais românticas acabam embarcando numa noite de sexo sem estar convencidas de que há intimidade ou cumplicidade para tanto. Fazem isso para garantir que outra não o faça. Aí, no dia seguinte, timidamente esperam... Presentes? Flores? Um telefonema talvez? Imagine.. Quem elas pensam que são? Desanimadas, contentam-se com uma mensagem virtual, curta. E que não respondam nem tentem contato mais de uma vez.

Pois é. Quem disse que é fácil? Cada vez mais submissas, as mulheres contentam-se com pouco. Racham a conta (são independentes, então, por que não?) e submetem-se a micos sem fim, como dirigir até o local do encontro (para facilitar a vida do sujeito, que não tem paciência para o trânsito, quando ela mora longe) e, uma vez na residência dele, aceitam voltar para casa no meio da noite. E por conta própria, para “não incomodar”.

Concorda que a vida é bem mais difícil para as mulheres independentes e modernas de hoje? Dá o que pensar, não? Talvez seja hora de virar a mesa. Mais uma vez e a nosso favor.