Publicado 28 de Novembro de 2012 - 22h14

Por Carlo Carcani

Carlo Carcani

Érica Dezonne/AAN

Carlo Carcani

Felipão está de volta à Seleção Brasileira. Vinte e quatro horas depois de anunciar que o novo técnico só seria contratado em janeiro, a CBF anunciou que o substituto de Mano Menezes será apresentado hoje. A súbita mudança de planos está relacionada ao sorteio dos grupos da Copa das Confederações. O evento ficaria esvaziado sem a presença do comandante da equipe anfitriã e a Fifa deve ter “solicitado” a José Maria Marin que parasse de enrolar. A CBF nem teve a preocupação de tentar esconder o nome escolhido e hoje o treinador do penta voltará a ocupar o cargo.

Marin escolheu um nome que tem muita experiência internacional e que acumula títulos importantes. Felipão disputou duas Copas por seleções diferentes e brilhou. Com o Brasil, foi campeão com 100% de aproveitamento. Com Portugal, realizou campanha histórica. Somando as duas participações, se transformou no primeiro e por enquanto único treinador a vencer 11 partidas seguidas em Copas.

Além do excelente desempenho em Mundiais, Felipão ostenta mais 18 títulos no currículo. A lista tem título alagoano (2), gaúcho (3), da Copa do Brasil (4), Libertadores (2), do Brasileiro (1) e até um campeonato do Uzbequistão e uma Copa do Kuwait, entre outros.

O grande problema é que 17 dos 19 títulos de Felipão foram conquistados entre 1981 e 2002. Nas últimas dez temporadas, ele ganhou apenas o título nacional com o Bunyodkor em 2009 e a última Copa do Brasil, com o Palmeiras, clube que acabou rebaixado no Brasileirão.

É muito pouco. Seu passado é importante e terá valor para sempre, mas seu trabalho nos últimos dez anos não justifica a escolha de seu nome.

Na minha avaliação, em boa ou má fase ele fará um trabalho bem superior ao de Mano Menezes, mas a CBF fez uma aposta arriscada ao optar pela experiência e pelos títulos que Scolari acumulou há 10 ou 15 anos.

Seu trabalho no Palmeiras foi pobre. No duelo com o Guarani, pelo Campeonato Paulista, ele passou uma lista falsa para a imprensa com nomes dos jogadores relacionados para a partida. Perdeu por 3 a 2 e foi eliminado. Dar treinos fechados e não revelar a escalação são cuidados naturais, que todos técnicos devem ter. Divulgar uma lista falsa já é um artifício ultrapassado, bobo até.

Não podemos esquecer que no Palmeiras é difícil trabalhar porque o inimigo não mora ao lado, mas vive dentro do clube, do vestiário, do campo. Tomara que, em seu retorno à Seleção, Felipão volte a ser o treinador que Marin pensa que escolheu.

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