Publicado 27 de Novembro de 2012 - 23h04

Uma das prisões da Operação Durkheim da Polícia Federal (PF), que investiga duas quadrilhas envolvidas com venda de dados sigilosos e remessa de recursos para o Exterior, ocorreu na região, em Piracicaba.

A ação da PF de São Paulo foi deflagrada na segunda-feira (26) a partir de um inquérito conduzido pela Corregedoria da Polícia Civil de Campinas em 2010, que identificou um agente federal como integrante de um esquema de extorsão contra políticos e empresários. O homem preso em Piracicaba não teve a identidade divulgada e foi conduzido para a sede da PF na Capital.

O delegado Florisvaldo Neves contou que sua equipe em Piracicaba apenas cumpriu o mandado de prisão e um de busca e apreensão no escritório da pessoa e que não poderia dar mais detalhes. Na operação de segunda-feira (26) foram presas 33 pessoas em cinco estados e no Distrito Federal, que teriam movimentado R$ 20 milhões só este ano. Um dos investigados é o presidente da Federação Paulista de Futebol e vice-presidente da CBF, Marco Polo Del Nero.

Dossiês

As investigações da PF apontam também que arapongas presos estavam a serviço do grupo criminoso que, além de extorsões, também se dedicava à venda de dossiês para campanhas eleitorais. Cerca de 180 políticos e empresários são vítimas da rede de espionagem.

Segundo a PF, vítimas da quadrilha identificadas na apuração serão ouvidas, mas as datas e nomes não foram informados. Um dos alvos das tentativas de extorsão foi o prefeito de Indaiatuba, Reinaldo Nogueira (PMDB). Da posse de informações contidas em um computador furtado da sede do Ministério Público (MP) em Campinas, um agente da PF teria lhe cobrado R$ 2 milhões para “livrar” a Prefeitura de investigações. Nogueira confirmou ao MP que foi até um escritório e que teria sofrido o achaque, no entanto, negou qualquer participação em um suposto esquema de fraudes. O prefeito de Hortolândia, Ângelo Perugini (PT), também teria sido alvo das tentativas de chantagem e também nega irregularidades.

Os integrantes das duas quadrilhas desbaratadas usavam dados sigilosos obtidos a partir de espionagem para chantagear os envolvidos nas investigações e também atuavam no envio de dinheiro ilegalmente para o Exterior.

O inquérito de 2010 da Corregedoria da Polícia Civil identificou o agente da PF Richard Fragnani de Moraes como o responsável pelo furto de um computador da sede do MP que continha informações a respeito de investigações sobre fraudes em licitações. A partir dele, outros integrantes foram identificados na rede de espionagem e venda de informações.

Richard foi um dos agentes que integrou uma operação da PF de 2010, apelidada de Manilha, que compartilhava informações com uma outra investigação em andamento pelo MP que também apurava fraudes em contratos em prefeituras na região e em outros estados. Ele teve acesso a dados sigilosos e sabia onde um dos computadores com as informações estava guardado na sede do MP em Campinas. Richard foi encontrado morto e o inquérito apontou que ele teria se suicidado.

Os dados gravados no equipamento eram sobre as ações do empresário José Carlos Cepera e dos lobistas Maurício Manduca e Emerson de Oliveira em fraudes em licitações em prefeituras espalhadas pelo País. Os três também são réus no Caso Sanasa.